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UTI Neonatal e Materna: iniciativas de humanização no cuidado com a mãe e o bebê

Em virtude do grande avanço em tecnologia na saúde, o “esfriamento” entre os profissionais da área em relação aos pacientes e seus familiares aumentou.




Por Dra. Ana Amélia - Neonatologista da Maternidade Brasília


Em virtude do grande avanço em tecnologia na saúde, o “esfriamento” entre os profissionais da área em relação aos pacientes e seus familiares aumentou consideravelmente. Nas últimas décadas, entretanto, alguns profissionais viram a necessidade de desenvolver iniciativas de humanização da assistência e, com isso, poder articular a qualidade técnica na atenção dispensada, na tecnologia e no suporte aos pacientes.

Estas iniciativas têm se apresentado em diversos campos de atenção, mas foram inicialmente implantadas no cuidado ao parto e ao recém-nascido. Uma das iniciativas é o Método Canguru.

Método Canguru

O Método Canguru foi o pioneiro em humanização, originariamente proposto pelo Dr. Edgar Rey Sanabria no Instituto Materno-Infantil (IMI) de Bogotá, na Colômbia, em 1978 e adaptado para a realidade brasileira em 2000. Atualmente é uma das mais importantes políticas de saúde do Ministério da Saúde, que integra um conjunto de ações voltadas para a qualificação do cuidado ao recém-nascido (RN) e sua família.

O Método Canguru é um modelo de atenção perinatal, que promove a participação dos pais e da família nos cuidados neonatais. Faz parte do método o contato pele a pele, que começa de forma precoce e crescente, desde o toque, evoluindo até a posição canguru.

É uma tecnologia de saúde que mudou o paradigma da assistência neonatal no Brasil, ampliando os cuidados prestados aos RNs. Envolve, principalmente, duas questões: Inclusão de estratégias neuropsicoprotetoras e atenção às relações afetivas significativas com seus pais, avós, irmãos, rede de apoio familiar e social e equipe neonatal.

Este método compreende três etapas nas quais a equipe de profissionais da Unidade Neonatal deve estar preparada, observando a individualidade de cada criança e de sua história familiar. Inclui também a preocupação com a saúde integral dessa equipe no desempenho de suas funções e com o ambiente hospitalar, abordando o acolhimento e a segurança nos cuidados neonatais, que devem ser adequados a cada momento evolutivo do RN.

Primeira etapa: Tem início no pré-natal da gestação que necessita cuidados especializados, durante o parto/nascimento, seguido da internação do recém-nascido na UTI neonatal e/ou na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo).

Nesta etapa, os procedimentos deverão seguir os seguintes cuidados especiais:

Acolher os pais e a família ampliada nos cuidados especializados e posteriormente na unidade neonatal.

Estimular o livre acesso ao companheiro ou acompanhante materno nos cuidados gestacionais necessários.

Apoiar o acompanhante da mulher durante o parto-nascimento principalmente por seu companheiro ou alguém de sua escolha.

Promover o livre e precoce acesso, bem como a permanência dos pais na unidade neonatal, sem restrições de horário.

Garantir que primeiro encontro dos pais seja acompanhado por um profissional da equipe de cuidados, favorecendo os primeiros contatos família/ recém-nascido.

Informar os pais sobre a importância da visita dos avós e dos irmãos.

Propiciar o contato pele a pele precoce respeitando as condições clínicas do recém-nascido e a disponibilidade de aproximação e interação dos pais com o recém-nascido.

Oferecer suporte e apoio para a amamentação.

Garantir à puérpera a permanência na unidade hospitalar, oferecendo o suporte assistencial necessário.

Diminuir os níveis de estímulos ambientais adversos da unidade neonatal, tais como odores, luzes e ruídos.

Garantir cadeira adequada para a permanência da mãe/pai na unidade neonatal e para realização da posição canguru.


Segunda etapa: A segunda etapa é realizada na UCINCa, garantindo todos os processos de cuidado já iniciados na primeira etapa com especial atenção ao aleitamento materno. O recém-nascido permanece de maneira contínua com sua mãe e a posição canguru será realizada pelo maior tempo possível. A presença e a participação do pai nos cuidados devem ser estimuladas.

Terceira etapa: Os RNs pré-termo e/ou de baixo peso receberão na terceira etapa a alta hospitalar e serão acompanhados de forma compartilhada pela equipe do hospital e da atenção básica do Método Canguru.

Posição Canguru: Esta posição é uma medida técnica do cuidado neonatal que implica em colocar precocemente o bebê de baixo peso em contato pele a pele, na posição vertical junto ao peito. Deste modo, promove a estabilidade térmica, substituindo a utilização prolongada da incubadora. Além deste benefício, contribui para a redução do tempo de internação, para a diminuição da taxa de infecção hospitalar e se apresenta como um incentivo ao aleitamento materno, promovendo um melhor desenvolvimento da criança.

Para implantar o Método Canguru, é necessário participar do curso de Formação do Ministério da Saúde, no qual repassam a metodologia de ensino e aprendizagem. Em 2018 a equipe da Maternidade Brasília, participou do curso e está capacitada para o método. Em 2017 foi revisada a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru, que pode ser visitada no site do Ministério da Saúde.

Diante do pioneirismo das iniciativas de humanização, o campo da assistência neonatal configura um espaço de aprendizagem sobre as potencialidades, os limites da proposta de humanização e os ajustes realizados na prática da assistência, que é voltada para o paciente como um todo e que está relacionado à preocupação que a equipe tem de integrar, de forma participativa, os familiares que acompanham os pacientes durante a internação, além de considerar a promoção de melhores condições para o profissional de saúde em UTI.

UTI Materna

O grande diferencial na UTI materna da Maternidade Brasília é a possibilidade de estabelecer o aleitamento materno precoce, além de incentivar a aproximação do bebê com a mãe, fortalecendo o vínculo entre os dois. Assim, é possível observar um menor tempo de internação da mãe na UTI e a melhora mais rápida da condição que a levou à internação.​

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