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Bebês prematuros demandam alguns cuidados especiais

A prematuridade é um grave problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Saiba mais.

​​​​A prematuridade é um grave problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

O nascimento pré-termo, popularmente conhecido como prematuro, é aquele em que o bebê nasce antes da 37ª semana de gestação, isto é, com menos de 259 dias. Essa condição é a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal, responsável por 75 a 95% de todos os falecimentos de bebês prematuros não associados a malformações congênitas.

Outra forma de classificar os prematuros é de prematuro extremo (menores de 27 semanas), prematuros moderados (entre 28 e 31 semanas) e leves (entre 32 e 36 semanas).

“Esses bebês têm riscos aumentados de adoecer e morrer em consequência do incompleto desenvolvimento dos órgãos e de sua maior suscetibilidade às infecções. Fatores agravados pela manipulação a que são expostos e pelo tempo prolongado em que permanecem nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatais, podendo chegar a até 4 meses, no caso de prematuros extremos”, pontua a Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira, Neonatologista da Maternidade Brasília.

Felizmente, os avanços da Medicina e, em especial, do diagnóstico e do tratamento do recém-nascido na UTI Neonatal, têm possibilitado que um número cada vez maior de bebês doentes ou prematuros sobreviva. No entanto, é preciso seguir detalhadamente uma gama de cuidados com esses pequenos, principalmente durante os primeiros meses de vida. Abaixo, explicamos mais detalhes sobre esse assunto.

Por que alguns partos são prematuros?

“O parto pré-termo pode ser espontâneo, decorrente de um trabalho de parto pré-termo, da rotura prematura das membranas ovulares ou, ainda, eletivo – indicado devido a intercorrências maternas, obstétricas e/ou fetais. A prevenção da prematuridade eletiva é mais difícil e se faz, principalmente, por melhoria nas condições maternas pré-concepcionais e durante o pré-natal”, explica a especialista.

Diversos fatores estão associados à prematuridade, destacando-se:

– idade materna menor que 20 anos ou maior que 40;

– hábito de fumar;

– exposição a substâncias tóxicas;

– estado nutricional crítico;

– antecedente de parto pré-termo;

– estatura materna inferior a 1,52 metros; gestação gemelar;

– sangramento vaginal no 2º trimestre de gestação; amadurecimento cervical;

– aumento da atividade uterina antes da 29ª semana de gestação;

– alteração de peso inadequada por parte da mãe;

– infecções do trato urinário;

– baixo nível socioeconômico;

– ausência de pré-natal ou número reduzido de consultas.

A importância do acompanhamento pré-natal se justifica ainda mais nesses casos, considerando as possibilidades de intervenção médica especializada nos fatores determinantes corrigíveis, com o intuito de evitar a morbimortalidade infantil.

Quando esse bebê pode deixar a UTI Neonatal?

É importante ter em mente que um pré-requisito para uma alta segura desse bebê é, em primeiro lugar, o fato de poder contar com uma família totalmente ciente da importância de seguir todas as recomendações médicas durante o retorno para a casa, estando motivada e consciente acerca dos cuidados básicos com o recém-nascido.

Isso tendo sido considerado, listamos os requisitos básicos que um neném prematuro deve preencher para receber alta médica da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal:

– Peso mínimo de 1.600 gramas, segundo normas do Atendimento Humanizado ao Recém-Nascido de Baixo Peso do Ministério da Saúde. Recomenda-se, como regra para uma alta mais segura, cabendo exceções em casos particulares, um peso acima de 1.900 gramas.

– Capacidade de manter a temperatura corporal normal em um berço simples.

– Ausência de apneia ou bradicardia há pelo menos cinco dias antes da alta.

– Apresentar, por pelo menos dois dias consecutivos, um ganho de peso diário superior a 15 gramas por quilograma de peso por dia.

– Tolerância alimentar adequada, por via oral, sem apresentar cianose, engasgo ou dificuldade respiratória.

“Um bom plano de alta não deve ser delineado a apenas alguns dias de sua realização; deve ser planejado e exige o preparo dos pais ou responsáveis já na Unidade de Risco Intermediário, quando o prematuro ou o recém-nascido doente permanece estável, tolera a alimentação enteral e inicia a sua recuperação”, alerta a especialista da Maternidade Brasília.

A médica defende que este preparo envolve o incentivo ao aleitam​ento materno e a introdução progressiva da família nos cuidados rotineiros do recém-nascido, sob a supervisão e a orientação da equipe de saúde, de forma que, em casa, a mesma qualidade do cuidado continue a ser oferecida.

Cuidados fundamentais no primeiro mês de vida do bebê prematuro

Indicamos para as mamães em questão seguir um checklist individualizado, a depender da necessidade de cada bebê, que contenha orientações e procedimentos rotineiros cujos pais e, em especial, a mãe, devem estar treinados e bem habilitados. Os principais são:

– banho;

– troca de fraldas;

– lavagem das roupas;

– alimentação ao seio e sua complementação com copinho (quando indicado);

– administração de medicamentos por via oral;

– tomada de temperatura corporal;

– obstrução nasal;

– reconhecimento de situação em que o bebê não está bem;

– em alguns serviços, é feito treinamento em manobras de ressuscitação básica e a habilidade no uso de cadeiras de transporte em carro.

Infelizmente, dados comprovam que o recém-nascido prematuro tem quatro vezes mais risco de reinternação durante o primeiro ano de sua vida. De acordo com a Dra. Ana Amélia, as principais causas são apneia, broncoaspiração, distúrbios respiratórios, diarreia, infecção do trato urinário, redução importante do ganho de ponderal e anemia grave com necessidade de transfusão.

Daí a importância de monitorar cada detalhe do dia a dia desse pequeno, além de seguir detalhadamente todas as recomendações médicas após o momento da alta. “Se os cuidados não forem mantidos, corre-se o risco de diversas complicações tardias, como um déficit de desenvolvimento, na falta de estimulação precoce; recorrência de fraturas, se não houver controle de osteopenia da prematuridade; problemas respiratórios​, dentre outros”, reforça a médica.

Apesar de todos os riscos de complicações por intercorrências ou doenças graves, os esforços da nossa equipe multidisciplinar, composta por médicos neonatologistas, cardiologistas, neurologistas, cirurgiões pediatras, pneumologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, além de nutrição clínica e farmácia clínica, têm tornado a sobrevida dos bebês prematuros cada vez maior e com menos incidência de sequelas.

Cuidados fundamentais a essas mamães

A Neonatologista afirma que a mãe que deu a luz à um bebê prematuro também precisa se cuidar de uma maneira específica no período pós-parto, recebendo atenção especial de psicólogas e/ou de uma terapia ocupacional, principalmente considerando que muitos prematuros permanecem internados por mais de 2 meses, fato que demanda que essa mulher passe a vivenciar o dia-dia de uma terapia intensiva de forma integral.

Redobre sua atenção aos sinais de alerta

Além dos cuidados básicos mencionados acima, após a alta do recém-nascido os familiares também precisam estar atentos à ocorrência de quaisquer sinais de alerta, isto é, determinados sintomas de saúde que indicam necessidade de procurar imediatamente o serviço médico de urgência, independentemente da data do retorno agendada. São eles:

– Cianose;

– Palidez;

– Dificuldade respiratória ou apneia;

– Recusa alimentar;

– Hipoatividade;

– Hipotermia ou hipertermia;

– Tremores ou convulsões;

– Choro fraco ou gemência;

– Vômitos frequentes;

– Distensão abdominal;

– Diurese inadequada;

– Surgimento ou piora da icterícia;

– Sinais de desidratação;

– Choro inconsolável.

Ressaltamos ainda alguns sinais, relativamente comuns em recém-nascidos, que NÃO demandam buscar atendimento emergencial:

– Soluços;

– Bocejos;

– Espirros;

– Regurgitação ocasional;

– Esforço ao evacuar se as fezes são amolecidas;

– Borborigmos;

– Tremores de queixo ou lábios;

– Agitação de braços e pernas quando o bebê chora;

– Ruídos com breve endurecimento do corpo;

– Congestão nasal leve em ambientes secos.

Como a Maternidade Brasília está preparada para atender tais casos

“A construção de planos de cuidados individualizado para cada prematuro faz parte de boas práticas clínicas. Por isso, contamos com uma equipe multidisciplinar de excelência, que cuida dos pequenos sem esquecer do apoio aos pais em tempo integral. Possuímos equipamentos de ponta para suporte às necessidades dos prematuros, inclusive diversas opções relativas aos cuidados com proteção do sistema nervoso central, adequações na assistência respiratória e nutricional. Além disso, todos os protocolos assistenciais são seguidos, com respeito as individualidades de cada paciente”, finaliza a Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira.

O cuidado com o ambiente físico, como a diminuição de estímulos sonoros e visuais e o agrupamento de cuidados – onde os profissionais tocam os recém-nascido ao mesmo tempo, para que o número de estímulos táteis no dia seja reduzido – também são muito importantes no cuidado desses prematuros.

A Maternidade Brasília preza pelo acolhimento ao bebê e à sua família, pelo respeito às individualidades, pela promoção de vínculos, pelo envolvimento da mãe nos cuidados ao recém-nascido, pelo estímulo e suporte ao aleitamento materno e pela construção de redes de suporte.

Afinal, entendemos que o sucesso do tratamento de um prematuro não é determinado apenas pela sua sobrevida, mas, também, pela qualidade de vida que ele terá com sua família.

Fonte: Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira, Neonatologista da Maternidade Brasília.


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