Por que o teste do pezinho é importante para a saúde do bebê?

Conheça a história desse exame, obrigatório no Brasil desde 1992, e as principais questões que o envolvem.

Com certeza você já ouviu falar no teste do pezinho, mas já imaginou a história por trás desse exame tão fundamental? Ainda na década de 1960, o médico e microbiologista Robert Guthrie, motivado pelo nascimento de um filho com deficiência mental e uma sobrinha com fenilcetonúria (doença que pode resultar em danos neurológicos irreversíveis na falta de tratamento adequado), desenvolveu um método simples para rastrear, de forma precoce, quais bebês poderiam sofrer com essa condição logo após o nascimento.

Dentro de pouco tempo, o laboratório de Guthrie já havia testado 400 mil recém-nascidos americanos e diagnosticado 39 deles com fenilcetonúria. Tais diagnósticos permitiram tratamentos precoces, evitando consequências mais graves da doença. Assim, o projeto se expandiu pelos Estados Unidos e por todo o mundo, alcançando sucesso e abrindo espaço para que o médico e seus colegas se concentrassem em testes de triagem para outras doenças que também podem afetar os recém-nascidos.

Continue esta leitura para compreender, de fato, os inúmeros benefícios do exame do pezinho e quando é preciso fazê-lo, entre outros detalhes cruciais sobre o tema.

Qual é a importância da triagem neonatal?

A triagem neonatal é um cuidado imprescindível com todos os recém-nascido. Ela consiste em um conjunto de exames capazes de identificar qualquer risco aumentado para o desenvolvimento de doenças raras, porém graves, de manifestação precoce e tratáveis em bebês, antes mesmo de eles apresentarem os primeiros sintomas, evitando, assim, desfecho grave e/ou sequelas.

O teste do pezinho é um dos exames da triagem neonatal. Ele possibilita a detecção de uma gama de diferentes marcadores biológicos no sangue do bebê que podem indicar determinadas condições médicas potencialmente graves. Tudo isso com base na coleta de sangue extraída do calcanhar do recém-nascido. Essa parte do corpo foi escolhida por ter inúmeros pequenos vasos e ser muito bem irrigada, o que facilita a extração do sangue do bebê. As gotinhas de sangue “carimbam” um papel especial, e, com essas pequenas amostras, é possível fazer o rastreio de várias condições.

Na Maternidade Brasília, mamães e papais podem fazer, em seus bebês, o teste do pezinho, que permite detectar 40 tipos de doenças.

As famílias também podem contar com o Laboratório Exame, parceiro da Maternidade Brasília, para realizar uma complementação da triagem. Com a coleta de nova amostra, o laboratório faz uma análise que pode identificar outros 50 tipos de condições na saúde do bebê, além das já descobertas no teste feito na maternidade.

Quando deve ser feito o teste do pezinho?

“O exame já pode ser feito 24 horas após o nascimento do bebê”, explica a Dra. Sandi Sato, pediatra e gerente médica da Maternidade Brasília. Ela ressalta também que, quando o bebê ainda está na barriga da mãe, ele permanece relativamente protegido em relação a doenças metabólicas, uma vez que a placenta filtra metabólitos tóxicos. Dessa forma, é como se o organismo materno desse uma “ajudinha fisiológica”, evitando a manifestação de qualquer complicação. No entanto, após o nascimento, o organismo do bebê precisa lidar “sozinho” com essas substâncias.

Quais são as doenças detectadas no teste do pezinho ampliado?

O teste do pezinho ampliado permite identificar dezenas de doenças, como a fenilcetonúria, que prejudica o desenvolvimento intelectual da criança, e a acidúria glutárica, condição em que a proteína não pode ser metabolizada pelo organismo e se transforma em substância tóxica que “mata” os neurônios do bebê. Na falta de diagnóstico e tratamento precoces, muitas doenças podem afetar o desenvolvimento do recém-nascido, causando deficiência intelectual e/ou física, e, em alguns casos, levar até mesmo ao óbito.

Importante lembrar ainda que muitas crianças que nascem com doenças metabólicas e doenças raras são provenientes de famílias que não têm histórico dessas condições. Portanto, o teste do pezinho é recomendável para todos os recém-nascidos, já que, com um diagnóstico precoce, as famílias podem buscar a ajuda necessária para tratar as doenças e tentar oferecer melhor qualidade de vida a esses bebês.

Por isso, vale a pena incluir esse exame na lista dos cuidados com os recém-nascidos. Para saber mais sobre os vários perfis do teste do pezinho, acesse o site: http://bit.ly/3aATKuK.

Você sabe como preservar a saúde do bebê que está por vir?

É indispensável compreender a importância dos exames morfológicos durante a gravidez

Ainda no início da gestação, a mamãe deve ter conhecimento sobre as diversas possibilidades de descobrir quais são os riscos de anomalias no bebê que está se desenvolvendo.

A Medicina Materno-fetal diz respeito ao conjunto de profissionais envolvidos nos cuidados da mãe e do bebê, desde a concepção, passando pelo nascimento e cuidados nos primeiros dias de vida. Esse ramo da medicina se dedica ao rastreamento, acompanhamento e tratamento de condições que possam afetar o bem-estar da mãe e do bebê. Conheça abaixo os três principais exames realizados por esses especialistas.

Exame morfológico de 1º trimestre

“Esse método consiste em buscar sinais ultrassonográficos que possam estar relacionados ao maior risco de doenças cromossômicas e o rastreamento de pressão alta na gestação, chamada de pré-eclâmpsia. O exame isoladamente não tem significado se não for realizado dentro de critérios específicos, seguidos por profissionais qualificados e capazes de interpretar os resultados encontrados”, pontua o Dr. Mateus Beleza, coordenador do Setor de Medicina Materno-fetal da Maternidade Brasília.

Exame morfológico de 2º trimestre

Embora os pais já tenham vivido a experiência de ouvir os batimentos cardíacos do bebê e de ver suas primeiras imagens no ultrassom do 1º trimestre, esse segundo exame é tão especial e animador quanto. Nesse exame, os órgãos já estão formados, inclusive é até possível descobrir o sexo do bebê.

O exame morfológico de 2º trimestre deve ser realizado prioritariamente entre 20 e 24 semanas de gestação e é capaz de avaliar minuciosamente a anatomia fetal e o crescimento da placenta e do volume do líquido amniótico. Nas imagens referentes ao exame é possível visualizar órgão por órgão, estrutura por estrutura, buscando, desta maneira, excluir condições genéticas e malformações estruturais.

Ultrassom eco-Doppler

O eco-Doppler é uma ferramenta do ultrassom capaz de avaliar o fluxo de sangue da mãe para o bebê, identificando através de suas veias e artérias se ele está recebendo a quantidade, além de monitorar o fluxo da placenta para o neném e a distribuição sanguínea no seu organismo.

“Com esta ferramenta rastreamos doenças e complementamos a avaliação do crescimento e bem-estar fetal”, detalha o médico especializado em Medicina Materno-Fetal. Esse tipo de ultrassom tem indicações específicas em cada momento da gestação e nos possibilita ter informações muito importantes sobre o fluxo de sangue que chega para o bebê.

Não deixe os exames materno-fetais em segundo plano

De acordo com o médico da Maternidade Brasília, a não realização dos exames citados pode acarretar a piora de condições que poderiam ter sido diagnosticadas precocemente. Os riscos envolvem o desenvolvimento ou piora de doenças prejudiciais à saúde da mãe e do neném. Muitas delas poderiam ter sido tratadas ou até mesmo prevenidas antes do nascimento. “Através dos exames pré-natais a equipe multidisciplinar é capaz de rastrear e intervir nesse cenário. O serviço de medicina materno-fetal é capaz de gerar protocolos efetivos no rastreamento do maior número de condições prejudiciais ao correto desenvolvimento da gestação”, destaca o especialista.

Em determinados casos, após o resultado dos exames em questão, pode ser comprovada necessidade de que o bebê passe por uma intervenção cirúrgica ainda dentro da barriga da mãe. Sobre isso, o Dr. Mateus Beleza explica: “Atualmente as intervenções cirúrgicas intra-útero são o principal desafio e novidade dentro da Medicina Materno-fetal. Felizmente, a estrutura que criamos aqui na Maternidade Brasília nos permite oferecer condições de intervir em bebês que apresentem doenças como mielomeningocele, transfusão feto-fetal, hérnia diafragmática congênita, dentre outras”.

O coordenador do Setor de Medicina Materno-fetal esclarece ainda que, durante a gestação, exames laboratoriais de grande importância também fazem parte do rastreamento de patologias maternas e fetais, inclusive complementando a investigação realizada nos exames morfológicos. E, claro, algumas condições específicas exigirão exames complementares que irão auxiliar no diagnóstico e seguimento de doenças.

Fonte: Dr. Mateus Beleza, coordenador do Setor de Medicina Materno-fetal da Maternidade Brasília.