Que patologias devem ser rotineiramente consideradas na avaliação de uma gestante?

E quais fatores podem desencadear uma gravidez de alto risco?

Dedicar-se à saúde da futura mamãe em todas as etapas da gravidez e durante o parto é um cuidado que representa uma forma de investimento no futuro. Isto é, uma maneira de preservar a nova vida em formação, que chegará ao mundo com a ajuda da melhor assistência possível.

Nesse período da vida de uma mulher, é preciso ter atenção redobrada aos pequenos detalhes. Afinal, a gestação representa um momento delicado e até mesmo frágil, que traz consigo alterações e impactos no organismo da gestante, que devem ser avaliados e tratados por meio de acompanhamento médico e exames de pré-natal.

Assim, é importante compreender quais enfermidades podem acontecer em uma gravidez, bem como quais mulheres estão mais propensas a passar por complicações inesperadas.

Conheça as principais patologias que podem acometer as grávidas

Falar sobre distúrbios e doenças “característicos” da gestação é algo complexo, pois as possibilidades são diversas e variáveis, de forma que é difícil se limitar a simplificações. No entanto, elaboramos uma lista das complicações mais frequentes.

Pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez)

Esse quadro representa um dos riscos mais graves para a saúde da mulher grávida, uma vez que, na falta de diagnóstico e tratamento rápidos e precisos, pode evoluir para a eclâmpsia, uma condição de alto risco capaz de causar convulsões e hemorragia cerebral, colocando em risco a vida da paciente.

A pré-eclâmpsia acontece diante da coexistência de sintomas como hipertensão, inchaço e proteinúria, isto é, quando há a presença de proteínas na urina. Também pode causar dor abdominal, visão turva, tontura, dores de cabeça e até mesmo convulsões. A única forma de cura é a realização do parto em si. “Mas até esse momento, é importante o manejo adequado da gestação, que deve ser conduzida com consultas regulares e bom controle da pressão”, explica o Dr. Noboru Sato, obstetra da Maternidade Brasília.  

Uma equipe multidisciplinar está à disposição das mamães na Maternidade Brasília para oferecer esses cuidados: “Elas devem ser acompanhadas por meio de consultas regulares, com controle da pressão e análise periódica do bem-estar fetal”, continua o obstetra.

“Em casos de emergência, o pronto-socorro da maternidade está totalmente equipado para receber essas pacientes e fazer os exames necessários para avaliar a saúde da mãe e do bebê, bem como garantir a realização do parto o mais rapidamente possível”, completa o médico.

Se houver necessidade, após o parto, o hospital oferece suporte para a saúde da mamãe, na UTI exclusivamente materna, e do bebê, em nossa UTI Neonatal. Ambas bem equipadas e exclusivas apenas para esses pacientes, o que garante um grau maior de especialização da equipe no cuidado dessa população e evita a contaminação por outras doenças contagiosas que possam colocar em risco a vida da mãe e do bebê.

Diabetes gestacional

Milhares de mulheres sofrem com a diabetes gestacional, desencadeada por níveis de açúcar elevados no sangue durante a gravidez. Geralmente, esse quadro acontece em decorrência dos hormônios liberados nesse período, que podem neutralizar a produção de insulina em pessoas predispostas, o que pode ser acentuado por fatores como excesso de peso ou dieta inadequada. O tratamento inclui o controle glicêmico, por meio de uma alimentação saudável e exercícios físicos, podendo ainda haver auxílio medicamentoso ou o uso de insulina caso os valores de açúcar no sangue continuem altos.

A diabetes gestacional promove um crescimento acelerado do feto, que pode ficar com o peso muito acima do percentil normal, o que dificulta o trabalho de parto. A sua ocorrência também aumenta o risco de morte súbita do bebê dentro do útero, especialmente no fim da gravidez. Por causa desse risco, é essencial a realização de exames periódicos de monitorização do bem-estar do bebê, especialmente no final da gestação.

“Depois do parto, esse recém-nascido deverá ser monitorizado, especialmente em relação à hipoglicemia, já que a diabetes gestacional aumenta o risco de ocorrência em neonatos”, pontua o médico.

Para esses casos, a equipe da Maternidade Brasília possui um time de enfermagem que realiza o cuidado e a monitorização dos parâmetros do recém-nascido e um atento grupo de pediatras para acompanhar o bebê.

Anemia

Durante a gestação, a mulher precisa de mais ácido fólico e ferro do que o normal, para aumentar a quantidade de sangue no corpo e para seu filho, que está em desenvolvimento. Com isso, pode ser que o número de glóbulos vermelhos fique abaixo do esperado, de forma que o sangue não consegue transportar tanto oxigênio quanto deveria. A anemia na gravidez pode apresentar alguns sinais vagos inicialmente, como fadiga, fraqueza, tontura, falta de ar a esforços, dor de cabeça e palidez. Em casos mais graves, o pulso pode ser rápido e fraco, com chances de desmaios e pressão arterial muito baixa. A anemia faz com que os riscos de parto prematuro e de hemorragia durante o trabalho de parto sejam maiores. Por isso é importante que o quadro seja tratado, se possível, antes do parto.  

Infecções

Diversos tipos de infecção podem acometer uma gestante, causando desdobramentos potencialmente perigosos para a gravidez e para o embrião. Isso porque algumas doenças podem ser transmitidas para o feto antes ou durante o nascimento, o que pode impactar negativamente o seu desenvolvimento, causando defeitos congênitos, aborto espontâneo ou um parto prematuro.

Os exemplos mais importantes são infecção urinária na gravidez, toxoplasmose, infecção por citomegalovírus, rubéola, hepatite, infecções do trato urinário e as ISTs, como clamídia, gonorreia, HIV, HTLV, sífilis e herpes genital. Para determinar o tratamento adequado e pesar os riscos do uso do medicamento contra os da infecção, é preciso consultar um médico especialista.

É importante ressaltar que muitas dessas patologias podem ser evitadas ou tratadas com cuidados adequados de acompanhamento pré-gravidez, pré-natal e pós-parto. Daí a importância de escolher a dedo a equipe que vai acompanhar a gestante nesse período único.

Os consultórios da maternidade possuem um time completo de médicos especialistas que realizam o acompanhamento periódico para essas doenças durante o pré-natal, atuando em sua prevenção e tratamento.

Caso seja necessária a internação da paciente para tratamento, a Maternidade Brasília oferece uma estrutura completa para receber essas pacientes e conta com o apoio de uma equipe de infectologia especializada para atender os casos mais graves.

Que condições preexistentes podem impactar diretamente a gestação?

Dois grandes exemplos de distúrbios preexistentes que aumentam o risco de problemas durante a gravidez são a diabetes e a hipertensão. Mulheres que apresentam tais comorbidades e mesmo assim desejam engravidar devem, primeiro, conversar com um especialista em obstetrícia, para tentar entrar na melhor condição física possível antes da gestação em si e, claro, evitar desdobramentos indesejáveis.

Durante a gravidez dessas pacientes, é preciso que haja um monitoramento detalhado por parte da equipe multidisciplinar responsável, uma vez que elas podem precisar de cuidados especiais e até emergenciais.

Outras condições preexistentes que podem impactar de forma negativa a gestação são: insuficiência cardíaca; tendência a doenças e a infecções renais; obesidade; anormalidades no trato genital; presença de doenças sexualmente transmissíveis; asma; doenças autoimunes; distúrbios de coagulação; alterações na tireoide e idade materna avançada.

“Nesses casos, é importante realizar uma investigação adequada para a presença dessas patologias e acompanhar e tratar essas condições antes, durante e até mesmo após o parto”, finaliza o médico.

Nossa equipe está totalmente preparada para acolher essas pacientes e fazer o rastreio e acompanhamento desses casos, que demandam atenção e cuidado maiores por parte da equipe.

Fonte: Dr. Noboru Sato, obstetra da Maternidade Brasília.

Bebês prematuros demandam alguns cuidados especiais

A prematuridade é um grave problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

O nascimento pré-termo, popularmente conhecido como prematuro, é aquele em que o bebê nasce antes da 37ª semana de gestação, isto é, com menos de 259 dias. Essa condição é a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal, responsável por 75 a 95% de todos os falecimentos de bebês prematuros não associados a malformações congênitas.

Outra forma de classificar os prematuros é de prematuro extremo (menores de 27 semanas), prematuros moderados (entre 28 e 31 semanas) e leves (entre 32 e 36 semanas).

“Esses bebês têm riscos aumentados de adoecer e morrer em consequência do incompleto desenvolvimento dos órgãos e de sua maior suscetibilidade às infecções. Fatores agravados pela manipulação a que são expostos e pelo tempo prolongado em que permanecem nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatais, podendo chegar a até 4 meses, no caso de prematuros extremos”, pontua a Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira, Neonatologista da Maternidade Brasília.

Felizmente, os avanços da Medicina e, em especial, do diagnóstico e do tratamento do recém-nascido na UTI Neonatal, têm possibilitado que um número cada vez maior de bebês doentes ou prematuros sobreviva. No entanto, é preciso seguir detalhadamente uma gama de cuidados com esses pequenos, principalmente durante os primeiros meses de vida. Abaixo, explicamos mais detalhes sobre esse assunto.

Por que alguns partos são prematuros?

“O parto pré-termo pode ser espontâneo, decorrente de um trabalho de parto pré-termo, da rotura prematura das membranas ovulares ou, ainda, eletivo – indicado devido a intercorrências maternas, obstétricas e/ou fetais. A prevenção da prematuridade eletiva é mais difícil e se faz, principalmente, por melhoria nas condições maternas pré-concepcionais e durante o pré-natal”, explica a especialista.

Diversos fatores estão associados à prematuridade, destacando-se:

– idade materna menor que 20 anos ou maior que 40;

– hábito de fumar;

– exposição a substâncias tóxicas;

– estado nutricional crítico;

– antecedente de parto pré-termo;

– estatura materna inferior a 1,52 metros; gestação gemelar;

– sangramento vaginal no 2º trimestre de gestação; amadurecimento cervical;

– aumento da atividade uterina antes da 29ª semana de gestação;

– alteração de peso inadequada por parte da mãe;

– infecções do trato urinário;

– baixo nível socioeconômico;

– ausência de pré-natal ou número reduzido de consultas.

A importância do acompanhamento pré-natal se justifica ainda mais nesses casos, considerando as possibilidades de intervenção médica especializada nos fatores determinantes corrigíveis, com o intuito de evitar a morbimortalidade infantil.

Quando esse bebê pode deixar a UTI Neonatal?

É importante ter em mente que um pré-requisito para uma alta segura desse bebê é, em primeiro lugar, o fato de poder contar com uma família totalmente ciente da importância de seguir todas as recomendações médicas durante o retorno para a casa, estando motivada e consciente acerca dos cuidados básicos com o recém-nascido.

Isso tendo sido considerado, listamos os requisitos básicos que um neném prematuro deve preencher para receber alta médica da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal:

– Peso mínimo de 1.600 gramas, segundo normas do Atendimento Humanizado ao Recém-Nascido de Baixo Peso do Ministério da Saúde. Recomenda-se, como regra para uma alta mais segura, cabendo exceções em casos particulares, um peso acima de 1.900 gramas.

– Capacidade de manter a temperatura corporal normal em um berço simples.

– Ausência de apneia ou bradicardia há pelo menos cinco dias antes da alta.

– Apresentar, por pelo menos dois dias consecutivos, um ganho de peso diário superior a 15 gramas por quilograma de peso por dia.

– Tolerância alimentar adequada, por via oral, sem apresentar cianose, engasgo ou dificuldade respiratória.

“Um bom plano de alta não deve ser delineado a apenas alguns dias de sua realização; deve ser planejado e exige o preparo dos pais ou responsáveis já na Unidade de Risco Intermediário, quando o prematuro ou o recém-nascido doente permanece estável, tolera a alimentação enteral e inicia a sua recuperação”, alerta a especialista da Maternidade Brasília.

A médica defende que este preparo envolve o incentivo ao aleitamento materno e a introdução progressiva da família nos cuidados rotineiros do recém-nascido, sob a supervisão e a orientação da equipe de saúde, de forma que, em casa, a mesma qualidade do cuidado continue a ser oferecida.

Cuidados fundamentais no primeiro mês de vida do bebê prematuro

Indicamos para as mamães em questão seguir um checklist individualizado, a depender da necessidade de cada bebê, que contenha orientações e procedimentos rotineiros cujos pais e, em especial, a mãe, devem estar treinados e bem habilitados. Os principais são:

– banho;

– troca de fraldas;

– lavagem das roupas;

– alimentação ao seio e sua complementação com copinho (quando indicado);

– administração de medicamentos por via oral;

– tomada de temperatura corporal;

– obstrução nasal;

– reconhecimento de situação em que o bebê não está bem;

– em alguns serviços, é feito treinamento em manobras de ressuscitação básica e a habilidade no uso de cadeiras de transporte em carro.

Infelizmente, dados comprovam que o recém-nascido prematuro tem quatro vezes mais risco de reinternação durante o primeiro ano de sua vida. De acordo com a Dra. Ana Amélia, as principais causas são apneia, broncoaspiração, distúrbios respiratórios, diarreia, infecção do trato urinário, redução importante do ganho de ponderal e anemia grave com necessidade de transfusão.

Daí a importância de monitorar cada detalhe do dia a dia desse pequeno, além de seguir detalhadamente todas as recomendações médicas após o momento da alta. “Se os cuidados não forem mantidos, corre-se o risco de diversas complicações tardias, como um déficit de desenvolvimento, na falta de estimulação precoce; recorrência de fraturas, se não houver controle de osteopenia da prematuridade; problemas respiratórios, dentre outros”, reforça a médica.

Apesar de todos os riscos de complicações por intercorrências ou doenças graves, os esforços da nossa equipe multidisciplinar, composta por médicos neonatologistas, cardiologistas, neurologistas, cirurgiões pediatras, pneumologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, além de nutrição clínica e farmácia clínica, têm tornado a sobrevida dos bebês prematuros cada vez maior e com menos incidência de sequelas.

Cuidados fundamentais a essas mamães

A Neonatologista afirma que a mãe que deu a luz à um bebê prematuro também precisa se cuidar de uma maneira específica no período pós-parto, recebendo atenção especial de psicólogas e/ou de uma terapia ocupacional, principalmente considerando que muitos prematuros permanecem internados por mais de 2 meses, fato que demanda que essa mulher passe a vivenciar o dia-dia de uma terapia intensiva de forma integral.

Redobre sua atenção aos sinais de alerta

Além dos cuidados básicos mencionados acima, após a alta do recém-nascido os familiares também precisam estar atentos à ocorrência de quaisquer sinais de alerta, isto é, determinados sintomas de saúde que indicam necessidade de procurar imediatamente o serviço médico de urgência, independentemente da data do retorno agendada. São eles:

– Cianose;

– Palidez;

– Dificuldade respiratória ou apneia;

– Recusa alimentar;

– Hipoatividade;

– Hipotermia ou hipertermia;

– Tremores ou convulsões;

– Choro fraco ou gemência;

– Vômitos frequentes;

– Distensão abdominal;

– Diurese inadequada;

– Surgimento ou piora da icterícia;

– Sinais de desidratação;

– Choro inconsolável.

Ressaltamos ainda alguns sinais, relativamente comuns em recém-nascidos, que NÃO demandam buscar atendimento emergencial:

– Soluços;

– Bocejos;

– Espirros;

– Regurgitação ocasional;

– Esforço ao evacuar se as fezes são amolecidas;

– Borborigmos;

– Tremores de queixo ou lábios;

– Agitação de braços e pernas quando o bebê chora;

– Ruídos com breve endurecimento do corpo;

– Congestão nasal leve em ambientes secos.

Como a Maternidade Brasília está preparada para atender tais casos

“A construção de planos de cuidados individualizado para cada prematuro faz parte de boas práticas clínicas. Por isso, contamos com uma equipe multidisciplinar de excelência, que cuida dos pequenos sem esquecer do apoio aos pais em tempo integral. Possuímos equipamentos de ponta para suporte às necessidades dos prematuros, inclusive diversas opções relativas aos cuidados com proteção do sistema nervoso central, adequações na assistência respiratória e nutricional. Além disso, todos os protocolos assistenciais são seguidos, com respeito as individualidades de cada paciente”, finaliza a Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira.

O cuidado com o ambiente físico, como a diminuição de estímulos sonoros e visuais e o agrupamento de cuidados – onde os profissionais tocam os recém-nascido ao mesmo tempo, para que o número de estímulos táteis no dia seja reduzido – também são muito importantes no cuidado desses prematuros.

A Maternidade Brasília preza pelo acolhimento ao bebê e à sua família, pelo respeito às individualidades, pela promoção de vínculos, pelo envolvimento da mãe nos cuidados ao recém-nascido, pelo estímulo e suporte ao aleitamento materno e pela construção de redes de suporte.

Afinal, entendemos que o sucesso do tratamento de um prematuro não é determinado apenas pela sua sobrevida, mas, também, pela qualidade de vida que ele terá com sua família.

Fonte: Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira, Neonatologista da Maternidade Brasília.

Toda gravidez acima dos 35 anos é de risco?

Gestações tardias têm particularidades que você precisa saber.

Sim, é verdade: diversos estudos já demonstraram que as mulheres que engravidam após os 35 anos enfrentam grandes riscos de complicações, tanto relativas ao parto, quanto ao bebê que está por vir. Mas, atenção: isso não significa que todas elas estão destinadas a terem problemas na gestação. Essa faixa etária é, simplesmente, a representação de um momento em que certos riscos se tornam mais prováveis e, portanto, mais dignos de discussão.

“A literatura atribui o termo ‘idade materna avançada’ àquelas que engravidam com mais de 35 anos. Hoje, com a tendência crescente da mulher moderna de adiar a maternidade, temos um número expressivo de mulheres deixando a gravidez para além daquela idade”, ressalta o Dr. Bruno Ramalho, ginecologista e especialista em Reprodução Humana que atua na Maternidade Brasília.

Diversos fatores têm influenciado nessa escolha, dentre eles o desejo de concluir níveis de ensino superior, a necessidade de crescer profissionalmente e estabelecer uma carreira, a existência de métodos anticoncepcionais mais eficazes, questões relativas à incerteza econômica ou habitacional, além de inúmeras mudanças sociais e culturais.

Afinal, quais são os principais riscos desse tipo de gestação?

Confira abaixo os principais riscos de uma gravidez tardia:

1. Anomalias cromossômicas: “À medida que a idade da mulher aumenta, espera-se um aumento da ocorrência de anomalias cromossômicas no bebê. Tecnicamente, usamos também chamá-las de aneuploidias, que são caracterizadas pelo aumento ou pela diminuição do número de cromossomos. Para exemplificar, para mulheres com 30 anos de idade, estima-se que sejam necessários 385 nascimentos para que um bebê venha com algum tipo de aneuploidia.

Aos 35 anos de idade, estima-se que alguma aneuploidia acometa 1 criança a cada 190 nascimentos. Ou seja, pode-se dizer que a chance de conceber uma criança com alguma anomalia cromossômica dobra dos 30 para os 35 anos”, comenta o Dr. Bruno. Entretanto, é importante notarmos que a chance sempre será aumentada em relação ao que se observa em mulheres mais jovens (risco relativo), mas isso não significa um risco absoluto alto. Usando o mesmo exemplo: em 190 crianças nascidas de mães aos 35 anos, uma será acometida e 189 não serão. “As aneuploidias, em geral, são problemas graves e, por isso, a maioria das gestações de fetos acometidos evoluem para perdas espontâneas. Uma das poucas exceções é a trissomia do cromossomo 21 (ou síndrome de Down), mais frequentemente compatível com a vida e, cada vez mais, com uma vida longeva. Falando em números, a chance aproximada de se ter um filho portador da síndrome de Down é de 1 a cada 380 aos 35 anos e de 1 a cada 100 aos 40 anos”, alerta o médico.

2. Aborto espontâneo: “Como citamos, a idade materna guarda relação direta com a chance de concepção de um bebê portador de aneuploidia e, na maior parte das vezes, essa gravidez evolui para o abortamento espontâneo. É uma ocorrência muito triste, mas, sem dúvida, uma providência da natureza para que aquela pessoa não venha ao mundo com sua saúde geneticamente comprometida”, explica o especialista.

Ele ainda ilustra o que acontece pela observação das representações gráficas das chances de gravidez e de aborto espontâneo em função da idade: “Enquanto a chance de gravidez cai progressivamente a partir dos 30 anos, a chance de aborto espontâneo sobe progressivamente. A queda da primeira e a subida da segunda tornam-se mais evidentes a partir dos 35 anos e, ainda mais, dos 37-38 anos de idade”.

3. Complicações nas condições de saúde da mãe ou ainda riscos de vida: “Não conheço profundamente as teorias que explicam (ou tentam explicar) a ligação entre a idade materna e as complicações obstétricas, mas é certo que existe uma associação com o aumento da mortalidade materna, assim como da doença hipertensiva, do diabetes e das doenças planetárias. No meu ponto de vista, a dificuldade está em sair da associação e chegar à relação de causa-efeito. Isso, penso, não temos, embora existam hipóteses óbvias”, pontua o Dr. Bruno.

O ginecologista ainda complementa dizendo que o aumento da mortalidade materna pode estar relacionado à presença de doenças prévias à gravidez, mas, até então, sem importância clínica. Afinal, problemas como síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, renais e autoimunes são observadas com maior frequência entre as mulheres grávidas de maior idade.

“Da mesma forma, em mulheres com idade avançada, principalmente depois dos 40, são mais frequentes tanto o descolamento prematuro da placenta normalmente inserida como a placenta prévia”, finaliza.

4. Necessidade de realizar uma cesariana: as probabilidades são maiores devido às taxas mais altas de partos múltiplos e complicações médicas – não é um fato obrigatório, a menos que seja clinicamente necessário.

“No que diz respeito ao parto, observa-se um aumento das indicações de cesariana à medida que aumenta a idade da gestante. Entretanto, entre essas mulheres, são muito frequentes as cesarianas com data marcada, por escolha da mulher ou sugestão do obstetra, sem que exista uma indicação obstétrica clara. Fato é que desconheço um motivo racional para desacreditar o parto natural simplesmente pela idade da gestante. E, no Brasil, com as taxas elevadas de cesariana a pedido, acho muito difícil estabelecer relação causal entre “idade materna avançada” e cesariana”, complementa o obstetra.

Quero engravidar e estou nessa faixa etária. E agora?

Se você está planejando engravidar após os 35 anos, antes de qualquer coisa é preciso se consultar com o seu médico, para realizar um “check-up pré-concepção” o mais rápido possível. Um obstetra poderá te ajudar a encontrar vitaminas pré-natais e elaborar uma dieta específica para o seu caso, além de te alertar sobre quaisquer fatores ambientais que você deve evitar nos próximos nove meses.

Após essa faixa etária, existe sim a possibilidade de ter uma gestação tranquila e saudável, no entanto, é preciso que seja monitorada de perto, considerando todos os riscos genéticos que aparecem com mais frequência à medida que as mulheres envelhecem. Será importante realizar alguns exames pré-natais extras e, principalmente, fazer escolhas mais inteligentes e equilibradas, no que diz respeito ao seu estilo de vida. Aqui vão algumas sugestões valiosas:

1. Antes mesmo de engravidar, procure ser o mais saudável possível.

2. Priorize alimentos bastante nutritivos e variados, visando absorver todos os nutrientes que você precisa para uma gestação tranquila e feliz. Opte por frutas e vegetais, grãos inteiros, feijão, carnes magras e laticínios com baixo teor de gordura.

3. Consulte um médico para a prescrição de ácido fólico, que ajuda a prevenir defeitos no tubo neural, como a espinha bífida (condição na qual o tecido sobre a medula espinhal do bebê não fecha) e anencefalia.

4. Confira se todas as suas vacinas estão em dia e converse com seu médico sobre quais você precisa tomar. A imunização correta é um passo essencial para uma gravidez segura, evitando o desenvolvimento de doenças perigosas e potencialmente fatais, tanto na mãe quanto no neném.

5. Abandone de vez o cigarro e o álcool: bebidas alcoólicas aumentam o risco do bebê de uma ampla gama de defeitos mentais e físicos, enquanto fumar aumenta a chance de o pequenino nascer abaixo do peso ideal, o que já seria mais comum em idade gestacional avançada. Não fumar também pode ajudar na prevenção à pré-eclâmpsia.

6. Principalmente em casos de gravidez acima dos 35 anos é fundamental manter um peso corporal adequado. Afinal, mulheres que estão acima do peso quando engravidam têm maior probabilidade de desenvolver problemas durante a gravidez, como a diabetes gestacional e a hipertensão. O sobrepeso também pode resultar em diversos problemas com o trabalho de parto.

Acima de tudo, não deixe de lado os cuidados pré-natais regulares, assim, você incrementa as chances de ter uma gravidez segura e um bebê saudável. Você sabia que as primeiras 8 semanas da gestação são as mais importantes para o pleno desenvolvimento do neném que está por vir? Realize todos os exames necessários, esclareça as suas dúvidas sobre gravidez e parto com um especialista e busque aconselhamento e apoio para desfrutar da melhor forma possível desse momento tão especial!

Fonte: Dr. Bruno Ramalho, ginecologista e especialista em Reprodução Humana que atua na Maternidade Brasília.

A voz do feto na barriga da mãe: conheça a medicina materno-fetal

Com alta tecnologia e equipe especializada, a medicina materno-fetal permite detectar condições específicas do desenvolvimento do bebê que podem ser tratadas ainda intraútero

“Queremos ser a voz do feto dentro da barriga da mãe”, destaca o Dr. Evaldo Trajano Filho, especialista em medicina materno-fetal e um dos coordenadores da área na Maternidade Brasília. Essa frase resume o trabalho feito pelos especialistas em medicina materno-fetal.

Na Maternidade Brasília, aparelhos de última geração e uma equipe multidisciplinar trabalham em conjunto com o obstetra para oferecer o que chamam de “o pré-natal do feto”. Esse ramo da medicina se dedica ao rastreamento, acompanhamento e tratamento de condições que possam afetar o bem-estar da mãe e do bebê. Conheça, abaixo, os três principais exames realizados por esses profissionais.

Exame morfológico do 1º trimestre

O ultrassom é um momento único, emocionante e extremamente esperado por papais e mamães. É nesse exame que ocorre o primeiro contato da família com o neném, que está ainda no início de seu desenvolvimento. Entre a 11ª e a 14ª semana é quando se realiza um tipo específico de ultrassom, chamado de morfológico do primeiro trimestre. Esta é uma etapa muito importante para ajudar a determinar quais são os próximos passos da mulher durante o pré-natal e se serão necessários cuidados especiais com essa criança dali em diante.   

“Esse método consiste em buscar sinais ultrassonográficos que possam estar relacionados com maior risco de doenças cromossômicas e o rastreamento de pressão alta na gestação, chamada de pré-eclâmpsia. O exame isoladamente não tem significado; ele precisa ser realizado dentro de critérios específicos, seguidos por profissionais qualificados e capazes de interpretar os resultados encontrados”, pontua o Dr. Mateus Beleza, que coordena o departamento juntamente com o Dr. Evaldo.

Exame morfológico do 2º trimestre

Embora os pais já tenham vivido a experiência de ouvir os batimentos cardíacos do bebê e ver suas primeiras imagens no ultrassom do primeiro trimestre, esse segundo exame é tão especial e animador quanto o outro. Nele os órgãos já estão formados, inclusive é até possível descobrir o sexo do bebê.

O exame morfológico do segundo trimestre deve ser feito, prioritariamente, entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. Ele é capaz de avaliar, com minúcia, a anatomia fetal e o crescimento da placenta e do volume do líquido amniótico, bem como visualizar órgão por órgão, estrutura por estrutura, para, dessa maneira, excluir condições genéticas e más-formações estruturais.

Ultrassom ecodoppler

O ecodoppler é uma ferramenta do ultrassom capaz de analisar o fluxo de sangue da mãe para o bebê. Ele identifica, pela visualização das veias e artérias do feto, se a quantidade de sangue que ele está recebendo é a ideal, além de monitorar o fluxo da placenta para o neném e a distribuição sanguínea em seu organismo.

“Com essa ferramenta, rastreamos doenças e complementamos a avaliação do crescimento e do bem-estar do bebê”, detalha o médico especializado em medicina materno-fetal. Esse tipo de ultrassom tem indicações específicas em cada momento da gestação e possibilita a obtenção de informações muito importantes sobre o fluxo de sangue que chega até o neném.

Não deixe os exames materno-fetais em segundo plano

De acordo com o médico da Maternidade Brasília, a não realização dos exames citados pode acarretar piora de condições que poderiam ter sido diagnosticadas precocemente. Os riscos envolvem o desenvolvimento ou o agravo de doenças prejudiciais à saúde da mãe e do neném. Muitas delas poderiam ter sido tratadas ou até mesmo evitadas antes do nascimento.

Em determinados casos, após o resultado dos exames em questão, pode ser comprovada a necessidade de o bebê passar por uma intervenção cirúrgica ainda dentro da barriga da mãe. As chamadas cirurgias intraútero são uma estratégia para solucionar algumas condições específicas, como a mielomeningocele, a transfusão feto-fetal e a hérnia diafragmática congênita.

Além das abordagens próprias da medicina materno-fetal, os exames laboratoriais também são de grande importância, sendo parte fundamental do rastreamento de patologias maternas e fetais, inclusive complementando a investigação realizada nos exames morfológicos. E, claro, algumas condições específicas exigirão exames complementares que vão auxiliar no diagnóstico de doenças.

Fonte: Dr. Evaldo Trajano Filho, obstetra especialista em Medicina Fetal; e Dr. Matheus Beleza, especialista em Medicina Materno-Fetal. Ambos coordenam o Setor de Medicina Materno-Fetal da Maternidade Brasília.

Você sabe como preservar a saúde do bebê que está por vir?

É indispensável compreender a importância dos exames morfológicos durante a gravidez

Ainda no início da gestação, a mamãe deve ter conhecimento sobre as diversas possibilidades de descobrir quais são os riscos de anomalias no bebê que está se desenvolvendo.

A Medicina Materno-fetal diz respeito ao conjunto de profissionais envolvidos nos cuidados da mãe e do bebê, desde a concepção, passando pelo nascimento e cuidados nos primeiros dias de vida. Esse ramo da medicina se dedica ao rastreamento, acompanhamento e tratamento de condições que possam afetar o bem-estar da mãe e do bebê. Conheça abaixo os três principais exames realizados por esses especialistas.

Exame morfológico de 1º trimestre

“Esse método consiste em buscar sinais ultrassonográficos que possam estar relacionados ao maior risco de doenças cromossômicas e o rastreamento de pressão alta na gestação, chamada de pré-eclâmpsia. O exame isoladamente não tem significado se não for realizado dentro de critérios específicos, seguidos por profissionais qualificados e capazes de interpretar os resultados encontrados”, pontua o Dr. Mateus Beleza, coordenador do Setor de Medicina Materno-fetal da Maternidade Brasília.

Exame morfológico de 2º trimestre

Embora os pais já tenham vivido a experiência de ouvir os batimentos cardíacos do bebê e de ver suas primeiras imagens no ultrassom do 1º trimestre, esse segundo exame é tão especial e animador quanto. Nesse exame, os órgãos já estão formados, inclusive é até possível descobrir o sexo do bebê.

O exame morfológico de 2º trimestre deve ser realizado prioritariamente entre 20 e 24 semanas de gestação e é capaz de avaliar minuciosamente a anatomia fetal e o crescimento da placenta e do volume do líquido amniótico. Nas imagens referentes ao exame é possível visualizar órgão por órgão, estrutura por estrutura, buscando, desta maneira, excluir condições genéticas e malformações estruturais.

Ultrassom eco-Doppler

O eco-Doppler é uma ferramenta do ultrassom capaz de avaliar o fluxo de sangue da mãe para o bebê, identificando através de suas veias e artérias se ele está recebendo a quantidade, além de monitorar o fluxo da placenta para o neném e a distribuição sanguínea no seu organismo.

“Com esta ferramenta rastreamos doenças e complementamos a avaliação do crescimento e bem-estar fetal”, detalha o médico especializado em Medicina Materno-Fetal. Esse tipo de ultrassom tem indicações específicas em cada momento da gestação e nos possibilita ter informações muito importantes sobre o fluxo de sangue que chega para o bebê.

Não deixe os exames materno-fetais em segundo plano

De acordo com o médico da Maternidade Brasília, a não realização dos exames citados pode acarretar a piora de condições que poderiam ter sido diagnosticadas precocemente. Os riscos envolvem o desenvolvimento ou piora de doenças prejudiciais à saúde da mãe e do neném. Muitas delas poderiam ter sido tratadas ou até mesmo prevenidas antes do nascimento. “Através dos exames pré-natais a equipe multidisciplinar é capaz de rastrear e intervir nesse cenário. O serviço de medicina materno-fetal é capaz de gerar protocolos efetivos no rastreamento do maior número de condições prejudiciais ao correto desenvolvimento da gestação”, destaca o especialista.

Em determinados casos, após o resultado dos exames em questão, pode ser comprovada necessidade de que o bebê passe por uma intervenção cirúrgica ainda dentro da barriga da mãe. Sobre isso, o Dr. Mateus Beleza explica: “Atualmente as intervenções cirúrgicas intra-útero são o principal desafio e novidade dentro da Medicina Materno-fetal. Felizmente, a estrutura que criamos aqui na Maternidade Brasília nos permite oferecer condições de intervir em bebês que apresentem doenças como mielomeningocele, transfusão feto-fetal, hérnia diafragmática congênita, dentre outras”.

O coordenador do Setor de Medicina Materno-fetal esclarece ainda que, durante a gestação, exames laboratoriais de grande importância também fazem parte do rastreamento de patologias maternas e fetais, inclusive complementando a investigação realizada nos exames morfológicos. E, claro, algumas condições específicas exigirão exames complementares que irão auxiliar no diagnóstico e seguimento de doenças.

Fonte: Dr. Mateus Beleza, coordenador do Setor de Medicina Materno-fetal da Maternidade Brasília.