A saúde da mulher em tempos de isolamento social

O organismo feminino tem particularidades no decorrer da vida, por isso precisa de cautela especial

A vida como conhecíamos mudou completamente nos últimos meses. Manter bons hábitos para preservar e incrementar a saúde, de modo geral, tem sido a chave para se sentir mais seguro durante a adaptação a esse novo cenário mundial. Alguns exames médicos não podem ser deixados de lado por causa da quarentena e, agora, você tem mais tempo do que nunca para incluir na rotina detalhes que podem fazer toda a diferença na sua qualidade de vida.

Cuide-se: não adie os exames essenciais

Ao longo da vida, geralmente são as mulheres que assumem o papel de fornecer cuidado e proteção aos outros, mas, muitas vezes, acabam se esquecendo da própria saúde. Cada fase da vida de uma mulher demanda certos tipos de atenção, resultando na necessidade de manter os check-ups em dia para que haja o direcionamento correto por parte do médico especialista.

“Na adolescência, o que mais preocupa é o risco de adquirir uma doença sexualmente transmissível (DST) ou uma gravidez não desejada. Já durante a fase adulta, o desejo de ter filhos e a prevenção do câncer passam a ser as preocupações mais importantes e, ao entrar na menopausa, o que mais se espera é ter uma boa qualidade de vida. Os exames mudam de acordo com a fase em que a mulher se encontra, mas, o que mais importa, é sempre pensar na prevenção como a melhor forma de se manter saudável”, alerta o ginecologista da Maternidade Brasília Dr. Evandro Oliveira.

Nesse contexto, certos exames são indispensáveis, pois ajudam a detectar problemas de saúde antes que evoluam para um estágio delicado e com menores chances de tratamento. O organismo da mulher tem particularidades que implicam a necessidade de realizar determinados exames regularmente, e a quarentena não deve ser um obstáculo nesse contexto.

Exames como a ultrassonografia transvaginal (para verificar problemas como cistos e infecções ou rastrear o câncer de ovário), o conhecido teste de Papanicolau (que checa a existência de câncer de colo do útero) e a mamografia (que detecta a existência de câncer de mama) são alguns que precisam entrar de imediato na nova rotina.

O médico complementa: “O isolamento social é uma medida fundamental e necessária para enfrentarmos a pandemia, mas que não deve impedir a realização de uma avaliação médica. Tenha em mente o quanto é importante fazer os exames de prevenção. Seu corpo e sua saúde agradecem!”.

Saúde mental: ocupe-se com atividades prazerosas

O tempo extra dentro de casa pode se tornar monótono. Evite ficar à toa e tente algo novo. Experimente, a cada dia, fazer algo diferente do dia anterior e tente priorizar atividades que podem proporcionar alegria e ocupar positivamente sua mente. “Ocupar o corpo e a mente é fundamental para mantermos uma boa imunidade física e mental, para que possamos superar as dificuldades desse momento pandêmico”, pontua o Dr. Evandro.

Inventar uma receita nova ou colocar em prática uma antiga pode ser bem divertido. Se tiver filhos, aproveite para pedir aquela mãozinha na cozinha enquanto eles aprendem e se distraem em família. Que tal dar uma cara nova a algum cantinho da casa? Troque os móveis de lugar, inclua novas peças de decoração ou até mesmo mude a cor de algumas paredes. Assista aos tutoriais DIY (do inglês “do it yourself”, faça você mesmo) na internet, isto é, ideias de como reaproveitar e personalizar objetos, roupas, acessórios e itens dos quais você já enjoou.

Aproveite para ler aqueles livros que estão guardados há anos. Retomar o contato com aquela amiga com quem você não conversava há tanto tempo pode ser mais legal e prazeroso do que você imagina. Reintroduzir passatempos antigos, que você havia abandonado por falta de tempo, pode ser uma verdadeira válvula de escape. E, claro, lembre a seus entes queridos que você se preocupa com eles e que está ali se eles precisarem. Bater papo por chamadas de vídeo com familiares que estão longe é superimportante para manter a leveza e a esperança viva neste momento – você fica feliz e eles também!

Caso você tenha uma psicanalista/psiquiatra/psicóloga com quem já vem trabalhando há algum tempo, não interrompa as consultas. Peça uma sessão pelo telefone ou por vídeo. A continuidade da análise fará toda a diferença em sua forma de encarar este período tão conturbado.

Dicas especiais para as futuras mamães

Por fim, o ginecologista da Maternidade Brasília afirma que a única mudança comportamental que as mulheres grávidas devem seguir, ao longo dessa fase de isolamento social, é a adoção de todas as condutas que estão sendo divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Além disso, durante as consultas do pré-natal, todas as dúvidas devem ser esclarecidas e os exames, realizados para que, no dia do parto, tudo transcorra da melhor forma possível”, ressalta.

O Dr. Evandro Oliveira ainda destaca o fato de a Maternidade Brasília ter se preparado, de acordo com as medidas de prevenção e segurança atuais, para receber de forma segura seus pacientes. “Estamos seguindo todas as orientações da Rede Ímpar e do Ministério da Saúde, visando proteger as gestantes e os recém-nascidos durante este período.” 

Fonte: Dr. Evandro Oliveira, ginecologista da Maternidade Brasília.

Depressão pós-parto em tempos de isolamento social

Você sabia que esse transtorno acomete mais de 25% das mães no Brasil?

Dar a luz gera milhares de emoções e os mais diversos sentimentos na vida de uma mulher. Esse momento único, sublime e especial é também desconhecido e desafiador, afinal, tudo mudou, e vai continuar mudando, tanto interna quanto externamente. Além da nova vida que foi gerada, o dia a dia também é novo, bem como as preocupações, as prioridades e o próprio corpo da mulher. A sociedade espera que a nova mamãe passe por tudo isso com um sorriso no rosto e tomada pela alegria, mas, quando os temores tomam o lugar da excitação, e com os hormônios acentuados, isso se torna mais difícil.

Depressão pós-parto: o que é, por que ocorre e como se manifesta?

Estima-se que a depressão pós-parto atinja uma em cada quatro mães brasileiras. Pesquisas indicam que maioria dessas mulheres não pedem ajuda profissional, ou porque não sabem identificar os sinais ou por vergonha de serem julgadas.

Segundo a ginecologista e obstetra da Maternidade Brasília, Dra. Nívia Ximenes, pacientes que desenvolvem essa complicação durante a gestação ou no pós-parto, geralmente, tem antecedentes de alguma doença psiquiátrica. “Essa doença costuma ser desencadeada pelas mudanças hormonais após o parto, falta de apoio emocional nesse período e/ou durante a gestação e as inúmeras mudanças de rotina. Conflitos interpessoais, instabilidade profissional, familiar ou econômica também são agravantes para a ocorrência desse transtorno”. A médica continua: “após o nascimento do bebê, quando a placenta sai (parto normal) ou é retirada (cesariana), a quantidade de hormônios da mulher cai abruptamente. Por conta disso, a paciente pode desenvolver diversos sintomas relacionados à depressão pós-parto e ao blues puerperal”.

Outro fator que ajuda a desencadear este quadro é o não-planejamento da gestação, isto é, quando a gravidez ocorreu de forma inesperada. De acordo com a Dra. Nívia, em geral, no caso de uma gravidez não planejada, a paciente tem maior probabilidade de desenvolver sintomas depressivos ou Labilidade Emocional – mudanças abruptas no humor ou estado emocional.

Como a quarentena pode afetar o período pós-parto

Durante esse período em que enfrentamos o novo coronavírus através da adoção do isolamento social, é possível que os sintomas desencadeadores desse transtorno se intensifiquem. Agora, a nova mãe não pode contar com o apoio presencial dos familiares e amigos, o que acaba tornando esse período, que já é naturalmente conturbado, ainda mais difícil e privativo, podendo gerar desespero ou sensações de despreparo e insuficiência na mulher.

“Quem está perto presencialmente precisa prestar totalmente esse suporte, tanto emocional quanto físico. Contar com a tecnologia e os meios de comunicação para receber carinho e acolhimento de entes queridos é também algo fundamental nesse momento”, ressalta a médica.

Muitas dúvidas que surgem nessa fase, sobre como lidar com determinadas situações, só podem ser respondidas por um profissional da área, médico obstetra, médico da família e/ou pediatra.

Blues puerperal não é o mesmo que depressão pós-parto

É importante saber diferenciar os estados de depressão pós-parto e blues puerperal. Esse segundo, também conhecido como baby blues, atinge 60% das mães e pode durar até cerca de 15 dias após o parto. Geralmente envolve vontade de chorar sem motivos aparentes, sentir tristeza e preocupações excessivas e não conseguir dormir ou comer como antes da gestação. A Dra. Nívia Ximenes pontua: “Na presença desses sintomas é fundamental se consultar com um obstetra, tanto para pedir auxílio quanto para a definir esse diagnóstico diferencial de forma apropriada”. Nesse momento, o auxílio de uma rede de apoio é fundamental, dividindo os cuidados entre o novo bebê e a nova mãe. Assim, a mulher vai, aos poucos, reequilibrando seu emocional e se sentindo melhor em relação à maternidade.

Já na depressão pós-parto, os sintomas são mais graves, entre eles o sentimento de incompetência, baixa autoestima e isolamento social. Segundo a obstetra da Maternidade Brasília, nesse quadro a paciente acaba tendo um comprometimento importante de suas atividades diárias – não só as relacionadas aos cuidados com o bebê, mas, inclusive, no que diz respeito aos cuidados consigo mesma. A duração também é diferente, já que essa condição pode se estender por até um ano após o nascimento do bebê. Assim, o tratamento adequado não depende apenas do apoio de terceiros, envolvendo também a necessidade de buscar ajuda com um psicoterapeuta ou psiquiatra.

Conte conosco

Vale ressaltar que na Maternidade Brasília, tanto na unidade hospitalar quanto nos consultórios, temos profissionais qualificados e especializados para prestar esse atendimento e tratamento, com todo o suporte, estrutura e segurança necessários durante esse período.

Fonte: Dra. Nívia Ximenes, ginecologista e obstetra da Maternidade Brasília.