HIV e gravidez: como prevenir a transmissão da mãe para o bebê

É preciso aumentar a conscientização sobre esse assunto tão pertinente e, ainda sim, pouco debatido

O vírus da imunodeficiência humana (HIV, sigla em inglês) ataca, danifica e enfraquece o sistema imunológico. Esse patógeno pode entrar no corpo humano por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas e transfusões com sangue contaminado, bem como da mãe para o bebê durante a gravidez, o parto e/ou a amamentação. Com base nisso e na falta de tratamento para o HIV, é possível que várias infecções “oportunistas” afetem o corpo, abrindo espaço para o desenvolvimento da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids, sigla em inglês), isto é, uma condição potencialmente fatal composta por várias doenças oportunistas.

“Recentemente celebramos o Dia Mundial de Luta contra a Aids, que é um marco da medicina, pois estamos falando de uma doença que, há mais 30 anos, tinha um índice de óbito de mais de 90%. Portanto, essa data deve ser valorizada, no sentido de comemorar todas as conquistas referentes ao tema, uma vez que a Aids foi abordada e estudada ao longo dos últimos anos e, por isso, hoje já não oferece os riscos de mortalidade de antigamente. Mas, claro, a data também serve de alerta para entendermos que muito ainda precisa ser feito, sobretudo com relação à população mais carente”, observa o Dr. Evandro Oliveira, ginecologista e diretor médico da Maternidade Brasília.

Hoje daremos mais detalhes do que é ser uma futura mamãe soropositiva.

Afinal, como o HIV passa da mãe para o bebê?

Em 1985, foi registrado, em boletim médico, o primeiro caso de transmissão vertical, isto é, quando uma contaminação é passada da mãe para o bebê que está por vir, a principal forma de infecção pelo HIV na população infantil. A passagem do vírus em questão pode ocorrer tanto pela placenta quanto durante o parto em si, por exposição a secreções, sangue materno ou mesmo ao leite materno. Por isso, é extremamente importante fazer o teste de HIV antes ou durante a gravidez, uma vez que, diante de um diagnóstico positivo, a equipe médica pode implementar medidas específicas de profilaxia para prevenir ou limitar a transmissão do patógeno nesse momento especial.

Vale ressaltar que, durante a gravidez, os anticorpos da gestante passam naturalmente para o bebê. Portanto, mesmo na ausência de infecção, a criança pode vir a testar positivo para o HIV em seus primeiros 18 meses e se tornar negativo posteriormente.

Métodos para prevenir esse tipo de transmissão

O Dr. Felipe Teixeira de Mello Freitas, infectologista da Maternidade Brasília, explica que quatro pontos compõem a base da prevenção da transmissão do HIV para o feto e o recém-nascido.

Primeiramente, mulheres que já receberam o diagnóstico da doença devem administrar os medicamentos antirretrovirais (ARV) todos os dias, exatamente como prescrito pelo médico, para suprimir a carga viral no organismo e evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Esses fármacos ajudam as pessoas que convivem com o HIV a viverem por mais tempo, com mais qualidade de vida e mais saúde.

A respeito do tipo de parto a ser escolhido pela gestante, o médico ressalta que é indicada a realização de uma cesariana eletiva, pois os riscos de transmissão do vírus pelas secreções e sangue no canal de parto, no parto normal, seriam muito maiores. “Durante esse momento, também é importante administrar, de forma venosa, o medicamento AZT (zidovudina)”, complementa o especialista.

Após o nascimento, os bebês nascidos de mães com HIV também receberão imediatamente a terapia com uso de antirretrovirais (Tarv). Esse cuidado precisa ser mantido durante quatro semanas, pois protegerá o pequeno da infecção de qualquer tipo de HIV transmitido de sua mãe durante o parto.

Além disso, como já comentamos, o leite materno também pode conter o vírus em questão. Por isso, uma maneira de prevenir a transmissão vertical é pelo uso de fórmulas infantis, ou seja, a mãe não deve amamentar o bebê.

Ou seja, com o conhecimento prévio dessa condição e o auxílio de uma equipe médica bem preparada e atenta às necessidades da futura mamãe e de seu neném, as chances de transmissão vertical pelo HIV podem ser significativamente diminuídas.

Não podemos deixar de destacar

Se você apenas leu esta matéria por curiosidade, por não ser uma pessoa soropositiva, aproveite o embalo para relembrar os três principais métodos de prevenção para se manter longe do HIV e, consequentemente, da Aids:

– o preservativo é a forma mais eficaz de proteção contra o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis – tanto a camisinha masculina quanto a feminina cumprem corretamente o papel de impedir a infecção dessas doenças;

– nunca compartilhe agulhas, seringas, equipamentos de injeção, alicates e material perfurocortante com outras pessoas, independentemente do contexto – se for fazer uma tatuagem ou um piercing, certifique-se de que uma agulha limpa e esterilizada esteja sendo usada;

– você pode tomar um medicamento de profilaxia de pré-exposição (PrEP) para reduzir o risco de contrair o vírus, caso seja uma pessoa com alto risco de infecção pelo HIV, por exemplo, se seu parceiro ou parceira for HIV positivo: “Vale ressaltar que, hoje em dia, sabemos que um paciente que adere totalmente ao tratamento e, consequentemente, apresenta carga viral indetectável pode conviver de forma tranquila com um parceiro ou parceira que não tenha o HIV sem que haja riscos de transmissão para ele ou ela ou para um bebê diante de uma gravidez”, salienta o infectologista da Maternidade Brasília.

Curiosidade: como é o tratamento do HIV nos dias atuais?

A abordagem terapêutica para a infecção por HIV evoluiu de forma revolucionária nos últimos 25 anos. Em 1996, quando essa possibilidade surgiu, o tratamento ainda envolvia alguns fatores que tornavam difícil a aderência a ele: uma quantidade muito grande de comprimidos por dia, vários efeitos colaterais indesejáveis e a interação com outros medicamentos que também estariam em uso pelo paciente. Felizmente, na última década, os avanços da medicina permitiram a criação de fármacos mais potentes, que demandam menos quantidade de comprimidos (muitas vezes apenas um por dia), com menos efeitos adversos e uma capacidade de redução da carga viral muito rápida. Uma verdadeira revolução, que proporciona a manutenção de uma vida absolutamente normal, como a de uma pessoa não infectada”, destaca o Dr. Felipe Teixeira de Mello.

A base do tratamento atual é composta por três medicamentos antirretrovirais utilizados para suprimir a carga viral do HIV, o que deixa a pessoa com a concentração do patógeno indetectável para esse quadro, de forma que a replicação viral é controlada e o desenvolvimento da Aids, impedido.

“A Maternidade Brasília segue o protocolo do Ministério da Saúde para as gestantes que são sorotipo positivo. Dessa forma, todo o acompanhamento do pré-natal, do parto e do pós-parto tem critérios que visam a dois fatores importantes: primeiro, a proteção materna contra qualquer tipo de preconceito social que poderia acontecer durante a realização desses processos, pois sabemos que, infelizmente, isso ainda existe; o segundo ponto é referente à proteção fetal, ou seja, seguimos todos os critérios medicamentosos e as condutas para o momento do parto sugeridas pelo Ministério da Saúde, de maneira a evitar o risco de transmissão vertical. Isso deixa a gente dentro do que se tem de mais atual e apropriado para o acompanhamento e a resolubilidade desse tipo de parto”, finaliza o Dr. Evandro Oliveira.

Fonte: Dr. Evandro Oliveira, ginecologista e diretor médico da Maternidade Brasília e Dr. Felipe Teixeira de Mello Freitas, infectologista da Maternidade Brasília.

Gestação gemelar: o dom da vida em dobro

Você sabia que gravidez de gêmeos tem características diferentes da gestação de um único bebê?

Quando uma mulher começa a pensar em conceber uma criança, sua imaginação, inevitavelmente, cria as mais diversas fantasias sobre como seu filho será. Com quem vai se parecer? Como serão desenvolvidas suas habilidades? Que coisas vou ensiná-lo a cada dia? O que ele vai se tornar quando crescer? E por aí vai… Antes mesmo de nascer, o pequeno já está desenhado na mente da futura mamãe. Até o dia em que o ginecologista formula a frase: “Parabéns, são dois! Você está esperando gêmeos!”.

Dificilmente uma gestante está plenamente preparada para ouvir essa sentença. Até porque as gestações múltiplas representam apenas 1% a 2% de todas as gestações naturais.

Algumas mulheres têm medo dessa realidade, visto que as modificações do organismo materno são obviamente condicionadas pela presença de mais fetos e mais placentas. Ou seja, a mulher acaba ficando mais exposta às alterações do metabolismo e ao aumento da pressão arterial, fatores que influenciam totalmente o curso da gravidez. Hoje vamos esclarecer os pontos mais importantes desse percurso.

Existem mulheres que têm mais chances de dar à luz gêmeos?

Se a gravidez for espontânea, a presença de gêmeos é bastante rara: ocorre em cerca de 1% a 2% dos casos, como citamos anteriormente. Por outro lado, se a gravidez for resultado de um procedimento de reprodução assistida, como nas fertilizações in vitro ou nos procedimentos de indução de ovulação, as probabilidades aumentam. De acordo com a Dra. Juliana Costa Rezende, ginecologista e obstetra da Maternidade Brasília, justamente porque esses fatores vêm se tornado mais comuns nos últimos anos, a proporção de gravidezes gemelares vem aumentando consideravelmente.

Em gestações tardias (após os 35 anos) ou em uma gravidez que ocorreu depois de muitos anos de uso de pílula anticoncepcional ou quando a mulher possui estatura mais alta, esse risco também é mais elevado. Além disso, o histórico familiar desempenha um importante papel na possibilidade de gerar bebês gêmeos – se há um ou mais casos de gêmeos na família, são grandes as chances de uma gravidez gemelar.

Como reconhecer de antemão esse tipo de gestação?

“Não é tarefa fácil para a futura mamãe reconhecer sozinha que está esperando gêmeos. Afinal, a fase inicial de uma gravidez gemelar é similar à de uma gravidez única. No entanto, alguns sintomas, como náusea, sonolência e dor abdominal em cólicas, podem ser exacerbados. E claro que, com o decorrer do tempo, o volume abdominal aumenta de maneira mais pronunciada em relação a gestações únicas”, explica a médica, que também é a responsável pelas gestações gemelares na Unidade de Medicina Fetal da Maternidade Brasília.

Durante a ultrassonografia do primeiro trimestre, que ocorre entre 6 e 14 semanas, o ginecologista verifica a vitalidade do embrião, o local da gravidez (intra ou extrauterina) e a quantidade de fetos presentes. Aí, sim, será comprovada, ou não, a gestação gemelar.

Tipos de gestação gemelar

Diante da presença de dois ou mais bebês, essa gestação poderá ser classificada de duas maneiras distintas.

Tecnicamente, a gravidez gemelar é proveniente da fertilização de dois ou mais óvulos por dois ou mais espermatozoides (dizigótico, trizigótico, tetrazigótico etc.) ou da divisão de um único óvulo fertilizado por um único espermatozoide (monozigótico).

No primeiro caso, o resultado será uma gravidez com placentas separadas (órgãos que garantem as condições ideais para o desenvolvimento do feto) e cavidades amnióticas separadas (local que contém o líquido amniótico, cuja função é proteger o embrião contra choques mecânicos e dessecação). Esse é o caso dos gêmeos não univitelinos, que podem ser de tipos sanguíneos e sexos diferentes, tendo cargas genéticas que se assemelham entre si sem que sejam idênticos fisicamente.

Mas ainda existem as chances de uma gravidez ter uma única placenta e duas ou mais cavidades amnióticas (monocoriônica e biamniótica, triamniótica etc.) ou, ainda, uma única placenta com apenas uma cavidade amniótica (monocoriônica e monoamniótica). Ambos os casos dão origem a gêmeos idênticos, tendo os bebês o mesmo sexo e características físicas extremamente semelhantes.

Estudos apontam que mais da metade das gestações gemelares resulta em partos prematuros. Esse fato é uma preocupação para as famílias, uma vez que esses bebês podem nascer antes de seus órgãos estarem totalmente formados, fazendo com que os pequenos sejam um pouco mais “frágeis” e, portanto, mais vulneráveis.

Outros riscos comuns nesse tipo de gestação

“Além de as gestações gemelares apresentarem grandes riscos de parto antes do tempo previsto e adequado, ainda existem maiores chances de ocorrência de defeitos congênitos no bebê, óbito fetal, desenvolvimento de diabetes gestacional e pré-eclâmpsia”, pontua a especialista da Maternidade Brasília.

Mas, calma, futura mamãe! Isso não é motivo para desespero. “Fique tranquila! A grande maioria das gestações gemelares tem um bom prognóstico e termina com dois bebês saudáveis em casa. A caminhada até esse desfecho pode não ser a mais confortável ou glamourosa, mas, lembre-se: qualquer gravidez traz consigo medo, ansiedade e desconforto, porém, com o suporte de familiares queridos e profissionais qualificados e dedicados você vai passar por isso com leveza e, ainda por cima, receber o dobro de amor e admiração!”

Cuidado dobrado para atingir o resultado esperado

A médica especializada em medicina materno-fetal ainda chama a atenção para o fato de que uma gestação gemelar demanda mais cuidados e visitas ao obstetra do que uma gestação única, além de também exigir a realização de exames mais frequentes. “Atualmente, é possível reconhecer precocemente alterações que podem afetar o bem-estar dos fetos, sobretudo no que diz respeito a gestações monocoriônicas (em que os bebês dividem a mesma placenta). Dessa forma, em casos que apresentem complicações, a intervenção por cirurgia intrauterina é uma opção”, ressalta.

A obstetra destaca ainda que, como a velocidade de crescimento uterino é maior, também é maior a sensação de cólicas e de estiramento ligamentar. Segundo ela, o ideal para lidar com essas percepções até o final da gravidez seria a realização de atividade física regular e fisioterapia. Todo detalhe pode fazer a diferença nesse momento tão delicado e especial!

Para receber essas mulheres com todo o acolhimento, suporte e apoio necessário, a Maternidade Brasília oferece um serviço de qualidade em acompanhamento pré-natal de alto risco, além de sua Unidade de Medicina Fetal, que conta com profissionais qualificados para esse tipo de gravidez. O ambulatório para ecografias de gemelares atende às segundas-feiras pela manhã. “Bebês gêmeos têm mais chances de precisar de cuidados após o nascimento, e para isso contamos com uma UTI neonatal preparada para esses casos”, finaliza a Dra. Juliana Costa Rezende.

Fonte: Dra. Juliana Costa Rezende, ginecologista e obstetra da Maternidade Brasília.

Toda gravidez acima dos 35 anos é de risco?

Gestações tardias têm particularidades que você precisa saber.

Sim, é verdade: diversos estudos já demonstraram que as mulheres que engravidam após os 35 anos enfrentam grandes riscos de complicações, tanto relativas ao parto, quanto ao bebê que está por vir. Mas, atenção: isso não significa que todas elas estão destinadas a terem problemas na gestação. Essa faixa etária é, simplesmente, a representação de um momento em que certos riscos se tornam mais prováveis e, portanto, mais dignos de discussão.

“A literatura atribui o termo ‘idade materna avançada’ àquelas que engravidam com mais de 35 anos. Hoje, com a tendência crescente da mulher moderna de adiar a maternidade, temos um número expressivo de mulheres deixando a gravidez para além daquela idade”, ressalta o Dr. Bruno Ramalho, ginecologista e especialista em Reprodução Humana que atua na Maternidade Brasília.

Diversos fatores têm influenciado nessa escolha, dentre eles o desejo de concluir níveis de ensino superior, a necessidade de crescer profissionalmente e estabelecer uma carreira, a existência de métodos anticoncepcionais mais eficazes, questões relativas à incerteza econômica ou habitacional, além de inúmeras mudanças sociais e culturais.

Afinal, quais são os principais riscos desse tipo de gestação?

Confira abaixo os principais riscos de uma gravidez tardia:

1. Anomalias cromossômicas: “À medida que a idade da mulher aumenta, espera-se um aumento da ocorrência de anomalias cromossômicas no bebê. Tecnicamente, usamos também chamá-las de aneuploidias, que são caracterizadas pelo aumento ou pela diminuição do número de cromossomos. Para exemplificar, para mulheres com 30 anos de idade, estima-se que sejam necessários 385 nascimentos para que um bebê venha com algum tipo de aneuploidia.

Aos 35 anos de idade, estima-se que alguma aneuploidia acometa 1 criança a cada 190 nascimentos. Ou seja, pode-se dizer que a chance de conceber uma criança com alguma anomalia cromossômica dobra dos 30 para os 35 anos”, comenta o Dr. Bruno. Entretanto, é importante notarmos que a chance sempre será aumentada em relação ao que se observa em mulheres mais jovens (risco relativo), mas isso não significa um risco absoluto alto. Usando o mesmo exemplo: em 190 crianças nascidas de mães aos 35 anos, uma será acometida e 189 não serão. “As aneuploidias, em geral, são problemas graves e, por isso, a maioria das gestações de fetos acometidos evoluem para perdas espontâneas. Uma das poucas exceções é a trissomia do cromossomo 21 (ou síndrome de Down), mais frequentemente compatível com a vida e, cada vez mais, com uma vida longeva. Falando em números, a chance aproximada de se ter um filho portador da síndrome de Down é de 1 a cada 380 aos 35 anos e de 1 a cada 100 aos 40 anos”, alerta o médico.

2. Aborto espontâneo: “Como citamos, a idade materna guarda relação direta com a chance de concepção de um bebê portador de aneuploidia e, na maior parte das vezes, essa gravidez evolui para o abortamento espontâneo. É uma ocorrência muito triste, mas, sem dúvida, uma providência da natureza para que aquela pessoa não venha ao mundo com sua saúde geneticamente comprometida”, explica o especialista.

Ele ainda ilustra o que acontece pela observação das representações gráficas das chances de gravidez e de aborto espontâneo em função da idade: “Enquanto a chance de gravidez cai progressivamente a partir dos 30 anos, a chance de aborto espontâneo sobe progressivamente. A queda da primeira e a subida da segunda tornam-se mais evidentes a partir dos 35 anos e, ainda mais, dos 37-38 anos de idade”.

3. Complicações nas condições de saúde da mãe ou ainda riscos de vida: “Não conheço profundamente as teorias que explicam (ou tentam explicar) a ligação entre a idade materna e as complicações obstétricas, mas é certo que existe uma associação com o aumento da mortalidade materna, assim como da doença hipertensiva, do diabetes e das doenças planetárias. No meu ponto de vista, a dificuldade está em sair da associação e chegar à relação de causa-efeito. Isso, penso, não temos, embora existam hipóteses óbvias”, pontua o Dr. Bruno.

O ginecologista ainda complementa dizendo que o aumento da mortalidade materna pode estar relacionado à presença de doenças prévias à gravidez, mas, até então, sem importância clínica. Afinal, problemas como síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, renais e autoimunes são observadas com maior frequência entre as mulheres grávidas de maior idade.

“Da mesma forma, em mulheres com idade avançada, principalmente depois dos 40, são mais frequentes tanto o descolamento prematuro da placenta normalmente inserida como a placenta prévia”, finaliza.

4. Necessidade de realizar uma cesariana: as probabilidades são maiores devido às taxas mais altas de partos múltiplos e complicações médicas – não é um fato obrigatório, a menos que seja clinicamente necessário.

“No que diz respeito ao parto, observa-se um aumento das indicações de cesariana à medida que aumenta a idade da gestante. Entretanto, entre essas mulheres, são muito frequentes as cesarianas com data marcada, por escolha da mulher ou sugestão do obstetra, sem que exista uma indicação obstétrica clara. Fato é que desconheço um motivo racional para desacreditar o parto natural simplesmente pela idade da gestante. E, no Brasil, com as taxas elevadas de cesariana a pedido, acho muito difícil estabelecer relação causal entre “idade materna avançada” e cesariana”, complementa o obstetra.

Quero engravidar e estou nessa faixa etária. E agora?

Se você está planejando engravidar após os 35 anos, antes de qualquer coisa é preciso se consultar com o seu médico, para realizar um “check-up pré-concepção” o mais rápido possível. Um obstetra poderá te ajudar a encontrar vitaminas pré-natais e elaborar uma dieta específica para o seu caso, além de te alertar sobre quaisquer fatores ambientais que você deve evitar nos próximos nove meses.

Após essa faixa etária, existe sim a possibilidade de ter uma gestação tranquila e saudável, no entanto, é preciso que seja monitorada de perto, considerando todos os riscos genéticos que aparecem com mais frequência à medida que as mulheres envelhecem. Será importante realizar alguns exames pré-natais extras e, principalmente, fazer escolhas mais inteligentes e equilibradas, no que diz respeito ao seu estilo de vida. Aqui vão algumas sugestões valiosas:

1. Antes mesmo de engravidar, procure ser o mais saudável possível.

2. Priorize alimentos bastante nutritivos e variados, visando absorver todos os nutrientes que você precisa para uma gestação tranquila e feliz. Opte por frutas e vegetais, grãos inteiros, feijão, carnes magras e laticínios com baixo teor de gordura.

3. Consulte um médico para a prescrição de ácido fólico, que ajuda a prevenir defeitos no tubo neural, como a espinha bífida (condição na qual o tecido sobre a medula espinhal do bebê não fecha) e anencefalia.

4. Confira se todas as suas vacinas estão em dia e converse com seu médico sobre quais você precisa tomar. A imunização correta é um passo essencial para uma gravidez segura, evitando o desenvolvimento de doenças perigosas e potencialmente fatais, tanto na mãe quanto no neném.

5. Abandone de vez o cigarro e o álcool: bebidas alcoólicas aumentam o risco do bebê de uma ampla gama de defeitos mentais e físicos, enquanto fumar aumenta a chance de o pequenino nascer abaixo do peso ideal, o que já seria mais comum em idade gestacional avançada. Não fumar também pode ajudar na prevenção à pré-eclâmpsia.

6. Principalmente em casos de gravidez acima dos 35 anos é fundamental manter um peso corporal adequado. Afinal, mulheres que estão acima do peso quando engravidam têm maior probabilidade de desenvolver problemas durante a gravidez, como a diabetes gestacional e a hipertensão. O sobrepeso também pode resultar em diversos problemas com o trabalho de parto.

Acima de tudo, não deixe de lado os cuidados pré-natais regulares, assim, você incrementa as chances de ter uma gravidez segura e um bebê saudável. Você sabia que as primeiras 8 semanas da gestação são as mais importantes para o pleno desenvolvimento do neném que está por vir? Realize todos os exames necessários, esclareça as suas dúvidas sobre gravidez e parto com um especialista e busque aconselhamento e apoio para desfrutar da melhor forma possível desse momento tão especial!

Fonte: Dr. Bruno Ramalho, ginecologista e especialista em Reprodução Humana que atua na Maternidade Brasília.

Parto Natural ou Cesárea?

Por Dr. Renan Mendes Barros, ginecologista

 

Um dos objetivos da Maternidade Brasília é buscar e implementar melhores práticas de parto e isso só é possível incentivando e conscientizando futuras mães, e toda a rede de atenção obstétrica, sobre os riscos da realização de cesáreas sem indicação clínica. Assim, pode-se oferecer às mulheres e aos bebês o cuidado certo ao longo da gestação, durante todo o trabalho de parto e, até mesmo, no pós-parto. Isso só é possível tendo uma estrutura e preparo da equipe multiprofissional, a medicina baseada em evidência e as condições socioculturais e afetivas da gestante e da família.

Participamos do Projeto Parto Adequado e diminuímos, entre as gestantes de baixo risco, o número de bebês internados na UTI Neonatal de 56% para 13%. Além disso, os partos vaginais em gestantes de baixo risco subiram de 18% para 33%.

Formas de parto

  • Parto normal: é aquele que a gestante expulsa naturalmente o bebê pelo canal vaginal com o auxílio de contrações uterinas, posicionamentos (exercícios), preparo psicológico e empuxos. Pode ou não haver o uso de analgesia de parto.
  • Parto cesariana: hoje é o mais comum entre as brasileiras e consiste na retirada do bebê por meio de uma incisão no baixo ventre e no útero, podendo ocorrer de duas formas:

Eletivamente: Cesariana que será agendada, portanto, sem que a paciente entre em trabalho de parto. Deve ser programada de acordo com o quadro clínico e seguimento de pré-natal, sendo que o ideal, para gestantes de baixo risco, é ser realizada com ou mais de 39 semanas, para se ter uma boa possibilidade de maturidade pulmonar fetal.

Em trabalho de parto: O que garante a certeza da maturidade pulmonar, porém se perde a previsibilidade do momento do parto.

*Com trechos retirados da Websérie Maternidade

Por que algumas mulheres não sabem que estão grávidas?

29 de agosto
Por Dra. Nívia Ximenes

Ginecologista e Obstetra da Maternidade Brasília

 

 

Algumas pacientes passam pela experiência de descobrir a gestação de forma tardia. Acreditem, é muito mais frequente do que imaginamos. Quando gestantes, a maioria das mulheres sentem sintomas muito claros, como dores nas mamas, enjoos, cansaço, atraso na menstruação e, com o tempo, o crescimento da barriga, o que faz com que descubram de forma rápida.

Porém, em algumas, estes sintomas são inexistentes ou então passam de forma desapercebida. Alguns fatores que podem predispor são:

  • Obesidade materna;
  • Longas jornadas de trabalho;
  • Poucas horas de sono;
  • Ciclos menstruais irregulares;
  • Atividade física intensa, entre outros.

 

Os riscos de uma gravidez não percebida estão relacionados a falta de monitoramento, onde várias doenças podem não ser diagnosticadas, e também pelo fato da mãe permanecer com hábitos não saudáveis durante o período.

Não existe alternativa para a mulher que descobre a gravidez desta forma, o jeito é encarar e fazer com que a situação se transforme o menos estressante possível. Após o susto inicial, deve-se procurar assistência médica imediatamente.

Para evitar esse tipo de ocorrência, é importante sempre realizar exames periódicos com seu ginecologista e ficar atenta às mudanças no corpo.

 

Infertilidade e suas principais causas

06 de agosto
Por Dr. Frederico Correa
Ginecologista da Maternidade Brasília

A infertilidade é a incapacidade de um casal com vida sexual ativa (pelo menos 1-2 vezes por semana) engravidar após um período de 12 meses de tentativa. Esse problema atinge cerca de 10% dos casais e está relacionado a várias possíveis causas.

A infertilidade conjugal pode ocorrer por problemas que afetam as mulheres e os homens. Em cerca de 40% dos casos de infertilidade o problema está nos homens, em 40% nas mulheres e em 20% dos casos ambos os parceiros podem apresentar problemas.

Existem inúmeras causas de infertilidade conjugal.

Nas mulheres os problemas mais comuns são:

– Alterações na ovulação – está associado a deficiência no funcionamento dos ovários. Os quadros mais comuns são os da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), problema de saúde em que a mulher não tem ovulação e tem excesso de hormônios masculinos produzido nos ovários. Outro problema aqui é a perda do estoque de óvulos (reserva ovariana), que é um processo contínuo, mas que ocorre mais cedo em algumas mulheres.

– Alterações hormonais – modificações nos hormônios da tireoide levando a hipo ou hipertireoidismo, assim como excesso de produção do hormônio prolactina podem levar a infertilidade.

– Problemas nas trompas – as trompas uterinas são responsáveis pelo transporte dos espermatozoides até o ovulo e depois pelo transporte do embrião até a cavidade uterina onde este vai se implantar. Infecções pélvicas e cirurgias pélvicas podem levar a formação de aderências ou obstrução das trompas. Isso impede a gravidez e aumenta o risco de gravidez nas trompas.

– Endometriose – é uma doença muito comum provocada pela presença de endométrio (uma camada interna do útero) fora do útero. Essa doença tem como principais sintomas as cólicas menstruais intensas, dor na relação sexual e infertilidade.

– Alterações do útero – os miomas uterinos eventualmente podem causar infertilidade. As aderências dentro do útero assim como as malformações uterinas também podem levar a infertilidade conjugal.

Problemas comuns nos homens

Nos homens os problemas mais comuns estão relacionados à produção alterada dos espermatozoides. A varicocele, as infecções do trato genital masculino, a infecção testicular por caxumba e as cirurgias genitais são causas comuns de infertilidade masculina. Uso de drogas, tabagismo, obesidade também podem alterar a qualidade do sêmen e levar a infertilidade. Além disso, o uso de anabolizantes ou hormônios androgênios de forma equivocada podem fazer com que a produção de espermatozoides esteja muito alterada.