Que patologias devem ser rotineiramente consideradas na avaliação de uma gestante?

E quais fatores podem desencadear uma gravidez de alto risco?

Dedicar-se à saúde da futura mamãe em todas as etapas da gravidez e durante o parto é um cuidado que representa uma forma de investimento no futuro. Isto é, uma maneira de preservar a nova vida em formação, que chegará ao mundo com a ajuda da melhor assistência possível.

Nesse período da vida de uma mulher, é preciso ter atenção redobrada aos pequenos detalhes. Afinal, a gestação representa um momento delicado e até mesmo frágil, que traz consigo alterações e impactos no organismo da gestante, que devem ser avaliados e tratados por meio de acompanhamento médico e exames de pré-natal.

Assim, é importante compreender quais enfermidades podem acontecer em uma gravidez, bem como quais mulheres estão mais propensas a passar por complicações inesperadas.

Conheça as principais patologias que podem acometer as grávidas

Falar sobre distúrbios e doenças “característicos” da gestação é algo complexo, pois as possibilidades são diversas e variáveis, de forma que é difícil se limitar a simplificações. No entanto, elaboramos uma lista das complicações mais frequentes.

Pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez)

Esse quadro representa um dos riscos mais graves para a saúde da mulher grávida, uma vez que, na falta de diagnóstico e tratamento rápidos e precisos, pode evoluir para a eclâmpsia, uma condição de alto risco capaz de causar convulsões e hemorragia cerebral, colocando em risco a vida da paciente.

A pré-eclâmpsia acontece diante da coexistência de sintomas como hipertensão, inchaço e proteinúria, isto é, quando há a presença de proteínas na urina. Também pode causar dor abdominal, visão turva, tontura, dores de cabeça e até mesmo convulsões. A única forma de cura é a realização do parto em si. “Mas até esse momento, é importante o manejo adequado da gestação, que deve ser conduzida com consultas regulares e bom controle da pressão”, explica o Dr. Noboru Sato, obstetra da Maternidade Brasília.  

Uma equipe multidisciplinar está à disposição das mamães na Maternidade Brasília para oferecer esses cuidados: “Elas devem ser acompanhadas por meio de consultas regulares, com controle da pressão e análise periódica do bem-estar fetal”, continua o obstetra.

“Em casos de emergência, o pronto-socorro da maternidade está totalmente equipado para receber essas pacientes e fazer os exames necessários para avaliar a saúde da mãe e do bebê, bem como garantir a realização do parto o mais rapidamente possível”, completa o médico.

Se houver necessidade, após o parto, o hospital oferece suporte para a saúde da mamãe, na UTI exclusivamente materna, e do bebê, em nossa UTI Neonatal. Ambas bem equipadas e exclusivas apenas para esses pacientes, o que garante um grau maior de especialização da equipe no cuidado dessa população e evita a contaminação por outras doenças contagiosas que possam colocar em risco a vida da mãe e do bebê.

Diabetes gestacional

Milhares de mulheres sofrem com a diabetes gestacional, desencadeada por níveis de açúcar elevados no sangue durante a gravidez. Geralmente, esse quadro acontece em decorrência dos hormônios liberados nesse período, que podem neutralizar a produção de insulina em pessoas predispostas, o que pode ser acentuado por fatores como excesso de peso ou dieta inadequada. O tratamento inclui o controle glicêmico, por meio de uma alimentação saudável e exercícios físicos, podendo ainda haver auxílio medicamentoso ou o uso de insulina caso os valores de açúcar no sangue continuem altos.

A diabetes gestacional promove um crescimento acelerado do feto, que pode ficar com o peso muito acima do percentil normal, o que dificulta o trabalho de parto. A sua ocorrência também aumenta o risco de morte súbita do bebê dentro do útero, especialmente no fim da gravidez. Por causa desse risco, é essencial a realização de exames periódicos de monitorização do bem-estar do bebê, especialmente no final da gestação.

“Depois do parto, esse recém-nascido deverá ser monitorizado, especialmente em relação à hipoglicemia, já que a diabetes gestacional aumenta o risco de ocorrência em neonatos”, pontua o médico.

Para esses casos, a equipe da Maternidade Brasília possui um time de enfermagem que realiza o cuidado e a monitorização dos parâmetros do recém-nascido e um atento grupo de pediatras para acompanhar o bebê.

Anemia

Durante a gestação, a mulher precisa de mais ácido fólico e ferro do que o normal, para aumentar a quantidade de sangue no corpo e para seu filho, que está em desenvolvimento. Com isso, pode ser que o número de glóbulos vermelhos fique abaixo do esperado, de forma que o sangue não consegue transportar tanto oxigênio quanto deveria. A anemia na gravidez pode apresentar alguns sinais vagos inicialmente, como fadiga, fraqueza, tontura, falta de ar a esforços, dor de cabeça e palidez. Em casos mais graves, o pulso pode ser rápido e fraco, com chances de desmaios e pressão arterial muito baixa. A anemia faz com que os riscos de parto prematuro e de hemorragia durante o trabalho de parto sejam maiores. Por isso é importante que o quadro seja tratado, se possível, antes do parto.  

Infecções

Diversos tipos de infecção podem acometer uma gestante, causando desdobramentos potencialmente perigosos para a gravidez e para o embrião. Isso porque algumas doenças podem ser transmitidas para o feto antes ou durante o nascimento, o que pode impactar negativamente o seu desenvolvimento, causando defeitos congênitos, aborto espontâneo ou um parto prematuro.

Os exemplos mais importantes são infecção urinária na gravidez, toxoplasmose, infecção por citomegalovírus, rubéola, hepatite, infecções do trato urinário e as ISTs, como clamídia, gonorreia, HIV, HTLV, sífilis e herpes genital. Para determinar o tratamento adequado e pesar os riscos do uso do medicamento contra os da infecção, é preciso consultar um médico especialista.

É importante ressaltar que muitas dessas patologias podem ser evitadas ou tratadas com cuidados adequados de acompanhamento pré-gravidez, pré-natal e pós-parto. Daí a importância de escolher a dedo a equipe que vai acompanhar a gestante nesse período único.

Os consultórios da maternidade possuem um time completo de médicos especialistas que realizam o acompanhamento periódico para essas doenças durante o pré-natal, atuando em sua prevenção e tratamento.

Caso seja necessária a internação da paciente para tratamento, a Maternidade Brasília oferece uma estrutura completa para receber essas pacientes e conta com o apoio de uma equipe de infectologia especializada para atender os casos mais graves.

Que condições preexistentes podem impactar diretamente a gestação?

Dois grandes exemplos de distúrbios preexistentes que aumentam o risco de problemas durante a gravidez são a diabetes e a hipertensão. Mulheres que apresentam tais comorbidades e mesmo assim desejam engravidar devem, primeiro, conversar com um especialista em obstetrícia, para tentar entrar na melhor condição física possível antes da gestação em si e, claro, evitar desdobramentos indesejáveis.

Durante a gravidez dessas pacientes, é preciso que haja um monitoramento detalhado por parte da equipe multidisciplinar responsável, uma vez que elas podem precisar de cuidados especiais e até emergenciais.

Outras condições preexistentes que podem impactar de forma negativa a gestação são: insuficiência cardíaca; tendência a doenças e a infecções renais; obesidade; anormalidades no trato genital; presença de doenças sexualmente transmissíveis; asma; doenças autoimunes; distúrbios de coagulação; alterações na tireoide e idade materna avançada.

“Nesses casos, é importante realizar uma investigação adequada para a presença dessas patologias e acompanhar e tratar essas condições antes, durante e até mesmo após o parto”, finaliza o médico.

Nossa equipe está totalmente preparada para acolher essas pacientes e fazer o rastreio e acompanhamento desses casos, que demandam atenção e cuidado maiores por parte da equipe.

Fonte: Dr. Noboru Sato, obstetra da Maternidade Brasília.

Pré-eclâmpsia: doença silenciosa que pode induzir ao parto precoce

Preocupante e, muitas vezes, assintomático, esse quadro pode ser minimizado. Entenda o assunto.

Com certeza você já ouviu falar sobre a pré-eclâmpsia, uma complicação potencialmente perigosa da gravidez que tem ocorrência comum no Brasil, acometendo cerca de 150 mil gestantes todos os anos. Mas você sabe de fato o que caracteriza essa doença e quais são os desdobramentos para a futura mãe e para o bebê? Hoje vamos te explicar quais são os sintomas característicos e como pode você prevenir e/ou tratar esse quadro complicado.

Entenda melhor: o que é a pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia geralmente se manifesta por volta das 20 semanas de gestação e é caracterizada por induzir a grávida a uma pressão arterial elevada, fato que pode ser bastante prejudicial, principalmente nesse período da vida de uma mulher. Segundo o Dr. Evaldo Trajano Filho, coordenador do setor Materno-fetal da Maternidade Brasília, essa doença afeta 8 a 10% das gestantes e é a principal causa de mortalidade materna. “A pré-eclâmpsia também causa prematuridade e é responsável por 20% de todas as internações em UTI”, complementa o médico.

De acordo com informações da Mayo Clinic (EUA), a causa exata dessa complicação gestacional envolve diversos fatores, tendo origem na placenta – o órgão que nutre o feto durante a gravidez. “No início da gravidez, novos vasos sanguíneos se desenvolvem e evoluem para enviar sangue com eficiência à placenta. Nas mulheres com pré-eclâmpsia, esses vasos sanguíneos parecem não se desenvolver ou funcionar adequadamente. Eles são mais estreitos que os vasos sanguíneos normais e reagem de maneira diferente à sinalização hormonal, o que limita a quantidade de sangue que pode fluir através deles”, explica a organização.

Sintomas: redobre sua atenção

O aumento da pressão arterial resultante desse processo pode levar ao inchaço dos membros inferiores, à retenção de líquido e ao aumento repentino do peso. Além disso, outros sinais da manifestação dessa doença são: problemas renais, dores de cabeça severas, alterações na visão, dor abdominal superior, náusea ou vômito, redução da necessidade de urinar e falta de ar, causada por líquido nos pulmões. Entre em contato imediatamente com seu médico ou vá a uma sala de emergência se notar a presença desses sintomas.

Caso a gestante se submeta aos exames laboratoriais ou de imagem, necessários para diagnóstico médico, podem aparecer como resultados, além da pressão arterial elevada, a presença de proteínas na urina, níveis reduzidos de plaquetas no sangue (trombocitopenia) e, até mesmo, função hepática comprometida. A realização desses exames é fundamental durante o 3o trimestre da gestação, afinal, em alguns casos não há a presença de sintomas, podendo tornar difícil a diferenciação da gravidez com pré-eclâmpsia da gravidez normal.

Quais são os fatores de risco?

– Hipertensão arterial sistêmica crônica;

– Primeira gestação;

– Diabetes;

– Lúpus;

– Obesidade;

– Histórico familiar ou pessoal das doenças supra-citadas;

– Gravidez depois dos 35 anos e antes dos 18 anos;

– Gestação gemelar.

É possível prevenir?

A realização de um acompanhamento pré-natal criterioso e sistemático durante toda a gravidez e a adesão rigorosa a todas as recomendações médicas são fundamentais para evitar essa doença.

“Hoje, nós conseguimos fazer um rastreamento que detecta cerca de 80% das pré-eclâmpsias graves e precoces, isto é, aquelas que acometem a mãe e o neném. Em um primeiro momento, solicitamos alguns exames, durante o estudo morfológico do primeiro trimestre, como a Dopplervelocimetria das artérias uterinas. Também investigamos o histórico materno, avaliando o risco de desenvolvimento da doença. Nas pacientes que apresentam um alto risco, utilizamos o ácido acetilsalicílico, conhecido popularmente como Aspirina, para tentar prevenir a complicação. Nessa fase, o medicamento em questão reduz a incidência da pré-eclâmpsia em cerca de dois terços”, explica o Dr. Evaldo Trajano Filho, coordenador do setor Materno-fetal da Maternidade Brasília.

Ainda assim, o médico ressalta que a função do rastreamento é evitar a ocorrência da doença, funcionando apenas como uma probabilidade, não um diagnóstico. Caso a gestante já tenha realizado os exames laboratoriais, e os resultados sejam conclusivos de que a pré-eclâmpsia já está em curso, esse diagnóstico precoce pode ajudar a impedir seu desenvolvimento, fato que poderia resultar no quadro de eclâmpsia, muito mais severo e preocupante, tanto para a gestante quanto para o bebê. 

O tratamento é feito através de medicamentos que controlam a doença até que o bebê esteja suficientemente maduro para a realização do parto. O obstetra tem um papel imprescindível nesse caso, afinal, ele irá determinar qual será o tipo de parto adequado para sua condição – uma cesariana pode ser necessária se houver condições clínicas ou obstétricas que exijam um parto rápido. Mesmo após o parto, os sintomas da pré-eclâmpsia podem durar de 1 a 6 semanas ou mais.

Fonte: Dr. Evaldo Trajano Filho, coordenador do setor Materno-fetal da Maternidade Brasília.