Bebês prematuros demandam alguns cuidados especiais

A prematuridade é um grave problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

O nascimento pré-termo, popularmente conhecido como prematuro, é aquele em que o bebê nasce antes da 37ª semana de gestação, isto é, com menos de 259 dias. Essa condição é a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal, responsável por 75 a 95% de todos os falecimentos de bebês prematuros não associados a malformações congênitas.

Outra forma de classificar os prematuros é de prematuro extremo (menores de 27 semanas), prematuros moderados (entre 28 e 31 semanas) e leves (entre 32 e 36 semanas).

“Esses bebês têm riscos aumentados de adoecer e morrer em consequência do incompleto desenvolvimento dos órgãos e de sua maior suscetibilidade às infecções. Fatores agravados pela manipulação a que são expostos e pelo tempo prolongado em que permanecem nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatais, podendo chegar a até 4 meses, no caso de prematuros extremos”, pontua a Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira, Neonatologista da Maternidade Brasília.

Felizmente, os avanços da Medicina e, em especial, do diagnóstico e do tratamento do recém-nascido na UTI Neonatal, têm possibilitado que um número cada vez maior de bebês doentes ou prematuros sobreviva. No entanto, é preciso seguir detalhadamente uma gama de cuidados com esses pequenos, principalmente durante os primeiros meses de vida. Abaixo, explicamos mais detalhes sobre esse assunto.

Por que alguns partos são prematuros?

“O parto pré-termo pode ser espontâneo, decorrente de um trabalho de parto pré-termo, da rotura prematura das membranas ovulares ou, ainda, eletivo – indicado devido a intercorrências maternas, obstétricas e/ou fetais. A prevenção da prematuridade eletiva é mais difícil e se faz, principalmente, por melhoria nas condições maternas pré-concepcionais e durante o pré-natal”, explica a especialista.

Diversos fatores estão associados à prematuridade, destacando-se:

– idade materna menor que 20 anos ou maior que 40;

– hábito de fumar;

– exposição a substâncias tóxicas;

– estado nutricional crítico;

– antecedente de parto pré-termo;

– estatura materna inferior a 1,52 metros; gestação gemelar;

– sangramento vaginal no 2º trimestre de gestação; amadurecimento cervical;

– aumento da atividade uterina antes da 29ª semana de gestação;

– alteração de peso inadequada por parte da mãe;

– infecções do trato urinário;

– baixo nível socioeconômico;

– ausência de pré-natal ou número reduzido de consultas.

A importância do acompanhamento pré-natal se justifica ainda mais nesses casos, considerando as possibilidades de intervenção médica especializada nos fatores determinantes corrigíveis, com o intuito de evitar a morbimortalidade infantil.

Quando esse bebê pode deixar a UTI Neonatal?

É importante ter em mente que um pré-requisito para uma alta segura desse bebê é, em primeiro lugar, o fato de poder contar com uma família totalmente ciente da importância de seguir todas as recomendações médicas durante o retorno para a casa, estando motivada e consciente acerca dos cuidados básicos com o recém-nascido.

Isso tendo sido considerado, listamos os requisitos básicos que um neném prematuro deve preencher para receber alta médica da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal:

– Peso mínimo de 1.600 gramas, segundo normas do Atendimento Humanizado ao Recém-Nascido de Baixo Peso do Ministério da Saúde. Recomenda-se, como regra para uma alta mais segura, cabendo exceções em casos particulares, um peso acima de 1.900 gramas.

– Capacidade de manter a temperatura corporal normal em um berço simples.

– Ausência de apneia ou bradicardia há pelo menos cinco dias antes da alta.

– Apresentar, por pelo menos dois dias consecutivos, um ganho de peso diário superior a 15 gramas por quilograma de peso por dia.

– Tolerância alimentar adequada, por via oral, sem apresentar cianose, engasgo ou dificuldade respiratória.

“Um bom plano de alta não deve ser delineado a apenas alguns dias de sua realização; deve ser planejado e exige o preparo dos pais ou responsáveis já na Unidade de Risco Intermediário, quando o prematuro ou o recém-nascido doente permanece estável, tolera a alimentação enteral e inicia a sua recuperação”, alerta a especialista da Maternidade Brasília.

A médica defende que este preparo envolve o incentivo ao aleitamento materno e a introdução progressiva da família nos cuidados rotineiros do recém-nascido, sob a supervisão e a orientação da equipe de saúde, de forma que, em casa, a mesma qualidade do cuidado continue a ser oferecida.

Cuidados fundamentais no primeiro mês de vida do bebê prematuro

Indicamos para as mamães em questão seguir um checklist individualizado, a depender da necessidade de cada bebê, que contenha orientações e procedimentos rotineiros cujos pais e, em especial, a mãe, devem estar treinados e bem habilitados. Os principais são:

– banho;

– troca de fraldas;

– lavagem das roupas;

– alimentação ao seio e sua complementação com copinho (quando indicado);

– administração de medicamentos por via oral;

– tomada de temperatura corporal;

– obstrução nasal;

– reconhecimento de situação em que o bebê não está bem;

– em alguns serviços, é feito treinamento em manobras de ressuscitação básica e a habilidade no uso de cadeiras de transporte em carro.

Infelizmente, dados comprovam que o recém-nascido prematuro tem quatro vezes mais risco de reinternação durante o primeiro ano de sua vida. De acordo com a Dra. Ana Amélia, as principais causas são apneia, broncoaspiração, distúrbios respiratórios, diarreia, infecção do trato urinário, redução importante do ganho de ponderal e anemia grave com necessidade de transfusão.

Daí a importância de monitorar cada detalhe do dia a dia desse pequeno, além de seguir detalhadamente todas as recomendações médicas após o momento da alta. “Se os cuidados não forem mantidos, corre-se o risco de diversas complicações tardias, como um déficit de desenvolvimento, na falta de estimulação precoce; recorrência de fraturas, se não houver controle de osteopenia da prematuridade; problemas respiratórios, dentre outros”, reforça a médica.

Apesar de todos os riscos de complicações por intercorrências ou doenças graves, os esforços da nossa equipe multidisciplinar, composta por médicos neonatologistas, cardiologistas, neurologistas, cirurgiões pediatras, pneumologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, além de nutrição clínica e farmácia clínica, têm tornado a sobrevida dos bebês prematuros cada vez maior e com menos incidência de sequelas.

Cuidados fundamentais a essas mamães

A Neonatologista afirma que a mãe que deu a luz à um bebê prematuro também precisa se cuidar de uma maneira específica no período pós-parto, recebendo atenção especial de psicólogas e/ou de uma terapia ocupacional, principalmente considerando que muitos prematuros permanecem internados por mais de 2 meses, fato que demanda que essa mulher passe a vivenciar o dia-dia de uma terapia intensiva de forma integral.

Redobre sua atenção aos sinais de alerta

Além dos cuidados básicos mencionados acima, após a alta do recém-nascido os familiares também precisam estar atentos à ocorrência de quaisquer sinais de alerta, isto é, determinados sintomas de saúde que indicam necessidade de procurar imediatamente o serviço médico de urgência, independentemente da data do retorno agendada. São eles:

– Cianose;

– Palidez;

– Dificuldade respiratória ou apneia;

– Recusa alimentar;

– Hipoatividade;

– Hipotermia ou hipertermia;

– Tremores ou convulsões;

– Choro fraco ou gemência;

– Vômitos frequentes;

– Distensão abdominal;

– Diurese inadequada;

– Surgimento ou piora da icterícia;

– Sinais de desidratação;

– Choro inconsolável.

Ressaltamos ainda alguns sinais, relativamente comuns em recém-nascidos, que NÃO demandam buscar atendimento emergencial:

– Soluços;

– Bocejos;

– Espirros;

– Regurgitação ocasional;

– Esforço ao evacuar se as fezes são amolecidas;

– Borborigmos;

– Tremores de queixo ou lábios;

– Agitação de braços e pernas quando o bebê chora;

– Ruídos com breve endurecimento do corpo;

– Congestão nasal leve em ambientes secos.

Como a Maternidade Brasília está preparada para atender tais casos

“A construção de planos de cuidados individualizado para cada prematuro faz parte de boas práticas clínicas. Por isso, contamos com uma equipe multidisciplinar de excelência, que cuida dos pequenos sem esquecer do apoio aos pais em tempo integral. Possuímos equipamentos de ponta para suporte às necessidades dos prematuros, inclusive diversas opções relativas aos cuidados com proteção do sistema nervoso central, adequações na assistência respiratória e nutricional. Além disso, todos os protocolos assistenciais são seguidos, com respeito as individualidades de cada paciente”, finaliza a Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira.

O cuidado com o ambiente físico, como a diminuição de estímulos sonoros e visuais e o agrupamento de cuidados – onde os profissionais tocam os recém-nascido ao mesmo tempo, para que o número de estímulos táteis no dia seja reduzido – também são muito importantes no cuidado desses prematuros.

A Maternidade Brasília preza pelo acolhimento ao bebê e à sua família, pelo respeito às individualidades, pela promoção de vínculos, pelo envolvimento da mãe nos cuidados ao recém-nascido, pelo estímulo e suporte ao aleitamento materno e pela construção de redes de suporte.

Afinal, entendemos que o sucesso do tratamento de um prematuro não é determinado apenas pela sua sobrevida, mas, também, pela qualidade de vida que ele terá com sua família.

Fonte: Dra. Ana Amélia Meneses Fialho Moreira, Neonatologista da Maternidade Brasília.

Longe, porém ainda juntos: serviços virtuais para cuidar da sua família

Encontramos formas de continuar ao seu lado, sem que você precise sair de casa

O momento da gestação é único e especial na vida de uma mulher e de seus familiares. Por isso, mesmo diante das atuais recomendações a respeito do distanciamento social, nossa equipe deu um jeitinho de continuar fazendo o que fazemos melhor: cuidar das futuras mamães e dos bebês que estão por vir – mesmo que à distância. Afinal, em qualquer tempo, o que amamos fazer é participar deste momento tão singular na vida das famílias que nos procuram. Então, intensificamos nossos serviços digitais, possibilitando acolhimento, proximidade, contato e soluções eficientes, através de atendimentos virtuais.

Seja para conhecer a estrutura da Maternidade Brasília, para se familiarizar com a nossa estrutura de internação para os partos ou para dar aquela força na hora da amamentação, as gestantes que escolhem a nossa instituição recebem total apoio no que diz respeito à preparação da família para a chegada do bebê.

Visita guiada

Que tal transitar pelos nossos corredores e instalações sem sair de casa? A opção da visita guiada virtual é uma ótima oportunidade para as famílias se ambientarem melhor e se prepararem para o que está por vir durante o momento do parto. Além disso, você pode visualizar detalhadamente as opções de acomodações que temos disponíveis e a estrutura do centro cirúrgico, por exemplo. Você pode fazer sua inscrição na visita guiada virtual clicando aqui.

Curso de Gestantes

Em um momento que envolve tantas surpresas e novidades, todo conhecimento é bem-vindo – principalmente se ele vem de grandes especialistas da área. Afinal, é sempre bom lembrar à gestante que ela não está sozinha. Pensando nisso, criamos um curso específico para as gestantes.

A atividade é indicada para mamães que passaram da 13ª semana de gestação. Ah, e o pai do bebê também pode fazer parte! Assim, ambos esclarecem suas dúvidas sobre o trabalho de parto, entre outras questões que envolvem este momento tão singular. Ficou interessada? Não fique de fora da próxima turma! Inscreva-se aqui.

Curso de Avós

Assim que um novo bebê chega ao mundo, as vovós ficam “babando”, querendo segurá-lo o tempo todo nos braços e enchê-lo de amor e carinho. Além disso, os avós têm um papel essencial na educação dos netos, e nós sabemos o quanto os conselhos e o auxílio daqueles que já passaram por essa vivência podem fazer toda a diferença, principalmente nos primeiros dias de vida do pequeno. Por isso, também idealizamos o curso de avós, onde trabalhamos temas que giram em torno de como esses entes queridos podem apoiar a família que está crescendo.

Nas aulas on-line, uma equipe multidisciplinar trata de assuntos como a alimentação durante a gravidez e após o nascimento do bebê, mitos e verdades sobre amamentação e dicas de como cuidar dos bebês, unindo a experiência dos mais maduros com os conhecimentos da área de saúde. Faça aqui a inscrição para o próximo curso de avós.

Tanto esse curso quanto o curso de gestantes são gratuitos, mas as vagas são limitadas.

Amamentação

Quem não é mamãe de primeira viagem já sabe que um dos desafios depois do nascimento do bebê é a amamentação. Afinal, essa é uma situação nova para mãe e filho e, para que ocorra de forma satisfatória, positiva e prazerosa para ambos, é preciso que seja feita de forma correta.

A mulher precisa lidar com o pós-parto, as alterações de hormônio e da rotina de sono, além de proporcionar condições adequadas para a mamada. Para o bebê, tudo é uma grande novidade ainda desconhecida. Ele agora não está mais no quentinho da barriga da mamãe e precisa aprender uma habilidade nova. Embora pareça algo instintivo, há certas questões que exigem atenção e persistência, como a devida maneira de fazer a pega e de posicionar o neném.

Aqui na Maternidade Brasília, somos defensores da amamentação, por todos os benefícios que ela proporciona para o bebê, a mamãe, e até para o meio ambiente. Antes de ir para casa, mamãe e bebê passam por um mini-treinamento com a nossa equipe para iniciar os primeiros passos da amamentação. Mas sabemos que os desafios vão continuar ainda por algum tempo.

Por isso, criamos o teleatendimento do Banco de Leite. Assim, sem precisar sair de casa, a nova mamãe pode tirar dúvidas, obter informações e ir aperfeiçoando a prática até chegar naquela fase em que tudo fica mais fácil. Além disso, as mamães que podem nos dar uma força com doação de leite humano para os bebês prematuros recebem orientações de como fazer a ordenha e o armazenamento do leite e agendar a coleta com a nossa equipe que busca as doações. O teleatendimento do Banco de Leite pode ser agendado pelo número (61) 2196-5318.

Diante de todas essas inovações, conta para a gente: ficou bem mais fácil passar por este momento tão especial agora, não é mesmo? Há mais de 8 anos a Maternidade Brasília se orgulha de fazer parte da vida de tantas famílias que já passaram por aqui. Esperamos que a sua também seja uma delas.

Mais informações pelo número (61) 2196-5300.

Você conhece o nosso teleatendimento do Banco de Leite?

A gestação é um período transformador, repleto de novidades, descobertas e, também, muitas perguntas. Para a mulher que está vivenciando tudo isso, todo auxílio é importante e bem-vindo, principalmente no que diz respeito às dúvidas referentes à uma parte especial e muito esperada da gravidez: o aleitamento materno. Em meio ao isolamento social e à pandemia pelo novo coronavírus, muitas futuras mamães se depararam com novas questões que precisam ser solucionadas de uma forma eficaz e segura, e é justamente dessa forma que a Maternidade Brasília decidiu fazer presença.

A importância dessa rede de apoio

“Nosso maior objetivo é promover, proteger e incentivar o aleitamento materno. Com isso, desenvolvemos trabalhos para auxiliar as mulheres-mães no período da amamentação e oferecemos o acompanhamento de profissionais qualificados, para também orientar sobre a saúde da criança”, explica Larissa Sena, Enfermeira Referência do Banco de Leite da Maternidade Brasília.

A especialista ainda ressalta que o apoio, o acolhimento, e a transmissão de segurança para as puérperas e gestantes, fazem com que essas mulheres possam contar com uma ajuda a mais nesse momento tão especial de suas vidas. Nesse período delicado, em que vivemos uma pandemia viral, o teleatendimento vem ainda para transmitir conforto e sensação de companhia às gestantes em isolamento social, visando sua permanência dentro de casa, através de soluções às problemáticas da amamentação, sem necessidade de que se desloquem até o ambiente hospitalar.

Como funciona o teleatendimento do Banco de Leite?

O Banco de Leite realiza o teleatendimento através de vídeochamadas, de forma individualizada e humanizada, solucionando as dúvidas mais frequentes relacionadas à amamentação. Para ser atendida, basta ligar em nosso número (61) 2196-5318, e será feito o agendamento. Nossas especialistas estão aptas a conversar sobre quaisquer questões relacionadas ao leite materno, mas os tópicos mais buscados pelas futuras mamães são:Qual é a maneira certa de massagear os seios antes da ordenha?

– Como posso fazer a ordenha de leite materno manualmente?

– Minha pega e meu posicionamento estão corretos?

– Como devo armazenar o leite humano?

– Preciso de apoio emocional nesse momento.

É sempre bom lembrar: doar leite materno salva inúmeras vidas!

Doar leite materno é doar vida para milhares de bebês prematuros internados nas UTIs Neonatais. Além de ser o melhor alimento possível para um recém-nascido, os ganhos são duradouros e podem se refletir por toda a vida – como, por exemplo, a diminuição dos riscos de desenvolvimento de doenças graves (diabetes, hipertensão e colesterol alto). No caso dos prematuros, o leite materno doado ainda aumenta as chances de uma recuperação mais rápida, além de protegê-los de possíveis infecções, diarreias e alergias que poderiam piorar um quadro já tão vulnerável.

A lactente que deseja ser doadora deve apresentar excesso de leite, ser saudável, não usar medicamentos que impeçam a doação e se dispor a ordenhar e a doar o excedente. A enfermeira Larissa Sena ressalta que as mamães recebem todo o apoio e as devidas recomendações dos profissionais habilitados e capacitados, para que se sintam mais seguras e confortáveis com a situação. “Entramos em contato com a doadora, passamos todas as orientações e realizamos a busca na casa delas de forma segura, seguindo todos os devidos protocolos em vigor nesse momento”, complementa a especialista.

O leite humano doado, após passar por processo que envolve seleção, classificação e pasteurização, é distribuído com qualidade certificada aos bebês internados em unidades neonatais. Se você está amamentando, entre nessa corrente do bem e ajude os inúmeros pequeninos que precisam – qualquer quantidade de leite materno doado é muito importante. Para esclarecer qualquer dúvida, entre em contato com o nosso Banco de Leite Humano, através do telefone (61) 2196-5318. O ato solidário de doar leite materno humano significa devolver esperanças para uma criança e sua família.

Fonte: Larissa Sena, Enfermeira Referência do Banco de Leite da Maternidade Brasília.

Dicas de alimentação especial para as gestantes se protegerem em meio à quarentena

Cuide-se adequadamente e trabalhe o seu fortalecimento imunológico

Os cuidados com a saúde durante a gestação precisam ser prioridade da futura mamãe, afinal, esse processo agora diz respeito a duas pessoas, e por isso é tão importante acertar nas escolhas diárias.

Atualmente, as possibilidades de infecção pelo novo vírus causador da Covid-19 estão por todos os lados, o que causa preocupação e dúvidas em muitas grávidas sobre como manter a si e ao seu bebê devidamente protegidos em relação à essa doença.

Saúde é tudo, agora mais do que nunca

O Ministério da Saúde passou a incluir as gestantes e as mães de recém-nascidos na lista do grupo de risco para o novo coronavírus. Essa decisão foi constituída baseando-se, principalmente, no fato de essas mulheres serem mais vulneráveis a infecções no geral. Consequentemente, os efeitos da Covid-19 podem se manifestar de forma mais severa, especialmente até 45 dias após o parto.

Até o momento não existem evidências científicas de que o novo coronavírus possa ser transmitido da mãe para o bebê ainda no útero ou durante o parto. Caso a mãe esteja com teste positivo para a infecção e queira manter a amamentação, a mesma deverá tomar alguns cuidados, como lavar as mãos antes de tocar o bebê na hora da mamada e usar máscara facial durante a amamentação. No caso da mãe não se sentir à vontade para amamentar diretamente a criança, ela poderá extrair o seu leite manualmente ou usar bombas de extração láctea (com higiene adequada) e um cuidador saudável (desde que esse cuidador conheça a técnica correta de uso desses utensílios). O mais importante é procurar seu médico antes de tomar qualquer medida. 

No caso de apresentar sintomas comuns à Covid-19, como febre, tosse, congestão nasal ou conjuntival, dor de garganta e dores musculares, a gestante não deve procurar de imediato o pronto atendimento hospitalar. O ideal é entrar em contato, via telefone, com um obstetra de confiança, que irá estudar o caso e orientá-la devidamente.

Ressaltamos que as grávidas não podem interromper o pré-natal, mesmo que as consultas se deem pelos meios virtuais.

Defenda-se elevando sua imunidade

Em meio à pandemia que enfrentamos, fortalecer a defesa do organismo é essencial. No caso de uma gestante, essa necessidade se torna ainda mais primordial, afinal, os anticorpos da mãe ajudarão a proteger o bebê nos primeiros 6 meses de vida. No entanto, devido aos fatores hormonais comuns da gestação, existe uma tendência à diminuição da imunidade da mulher.

Considerando esses pontos, aproveitamos o período de isolamento social em casa para sugerir alguns alimentos benéficos para auxiliar na imunidade da gestante. Aproveite para criar e descobrir novas receitas com esses ingredientes especiais!

Alimentos ricos em vitamina C: acerola, limão, laranja e kiwi colaboram com as células de defesas do organismo, que têm efeito direto sobre bactérias e vírus, auxiliando em infecções, gripes e resfriados.

Cebola: possui uma substância chamada quercetina,  que contribui com a imunidade da gestante, prevenindo-a de doenças virais e alérgicas.

Batata Yacon: ajuda na manutenção da imunidade da gestante, além de prevenir diabetes do tipo II e favorecer o bom funcionamento do intestino.

Cogumelo Shitake: possui uma substância chamada lentinana, que estimula a produção das células de defesa do organismo (macrófagos e linfócitos), aumentando a imunidade da gestante.

Vegetais verde-escuros: agrião, almeirão, couve, espinafre, folha de brócolis, que possuem ácido fólico; vitaminas A, B6 e B12, que contribuem na manutenção das células imunológicas da gestante.

Iogurte natural: ajuda na recomposição das bactérias benéficas da flora intestinal chamadas de probióticos e mantém o intestino saudável e capaz de absorver os principais micronutrientes, como as vitaminas e minerais, que fortalecem o sistema imunológico.

Castanha do Pará: tem grande capacidade antioxidante por conter o selênio, ou seja,  ajuda a neutralizar os radicais livres do organismo, auxiliando também no controle da imunidade. 

Cuidado com o excesso de ganho de peso durante a gestação: a obesidade constitui um dos grupos de risco para gravidade da Covid-19

Durante a gravidez, o crescimento fetal, a retenção hídrica, o aumento do volume de sangue circulante, o ganho de gordura e o aumento da massa muscular do útero contribuem para um aumento de peso natural do período. Porém, é preciso ter cuidado para que os números da balança não se elevem de forma exagerada, fato que pode gerar sérios prejuízos para a saúde da mãe e do bebê em formação.

Outro fator alarmante é o fato de a obesidade ser um dos principais fatores de risco nas vítimas da Covid-19 com menos de 60 anos – à frente de problemas respiratórios e cardiológicos, segundo dados do Ministério da Saúde. Algumas pesquisas mostram, inclusive, que a gravidade do quadro clínico do paciente pode ser diretamente proporcional a seu peso. 

Por isso, além de respeitar as orientações de isolamento e higiene para evitar a proliferação do novo coronavírus, é importante que a gestante priorize a escolha de frutas, verduras, vegetais, carnes magras, entre outros exemplos de alimentos saudáveis. O acompanhamento nutrológico e/ou nutricional é essencial nessa fase da vida.

Não deixe a Covid-19 interferir no momento mais especial da sua vida!

Parto Natural ou Cesárea?

Por Dr. Renan Mendes Barros, ginecologista

 

Um dos objetivos da Maternidade Brasília é buscar e implementar melhores práticas de parto e isso só é possível incentivando e conscientizando futuras mães, e toda a rede de atenção obstétrica, sobre os riscos da realização de cesáreas sem indicação clínica. Assim, pode-se oferecer às mulheres e aos bebês o cuidado certo ao longo da gestação, durante todo o trabalho de parto e, até mesmo, no pós-parto. Isso só é possível tendo uma estrutura e preparo da equipe multiprofissional, a medicina baseada em evidência e as condições socioculturais e afetivas da gestante e da família.

Participamos do Projeto Parto Adequado e diminuímos, entre as gestantes de baixo risco, o número de bebês internados na UTI Neonatal de 56% para 13%. Além disso, os partos vaginais em gestantes de baixo risco subiram de 18% para 33%.

Formas de parto

  • Parto normal: é aquele que a gestante expulsa naturalmente o bebê pelo canal vaginal com o auxílio de contrações uterinas, posicionamentos (exercícios), preparo psicológico e empuxos. Pode ou não haver o uso de analgesia de parto.
  • Parto cesariana: hoje é o mais comum entre as brasileiras e consiste na retirada do bebê por meio de uma incisão no baixo ventre e no útero, podendo ocorrer de duas formas:

Eletivamente: Cesariana que será agendada, portanto, sem que a paciente entre em trabalho de parto. Deve ser programada de acordo com o quadro clínico e seguimento de pré-natal, sendo que o ideal, para gestantes de baixo risco, é ser realizada com ou mais de 39 semanas, para se ter uma boa possibilidade de maturidade pulmonar fetal.

Em trabalho de parto: O que garante a certeza da maturidade pulmonar, porém se perde a previsibilidade do momento do parto.

*Com trechos retirados da Websérie Maternidade

Por que algumas mulheres não sabem que estão grávidas?

29 de agosto
Por Dra. Nívia Ximenes

Ginecologista e Obstetra da Maternidade Brasília

 

 

Algumas pacientes passam pela experiência de descobrir a gestação de forma tardia. Acreditem, é muito mais frequente do que imaginamos. Quando gestantes, a maioria das mulheres sentem sintomas muito claros, como dores nas mamas, enjoos, cansaço, atraso na menstruação e, com o tempo, o crescimento da barriga, o que faz com que descubram de forma rápida.

Porém, em algumas, estes sintomas são inexistentes ou então passam de forma desapercebida. Alguns fatores que podem predispor são:

  • Obesidade materna;
  • Longas jornadas de trabalho;
  • Poucas horas de sono;
  • Ciclos menstruais irregulares;
  • Atividade física intensa, entre outros.

 

Os riscos de uma gravidez não percebida estão relacionados a falta de monitoramento, onde várias doenças podem não ser diagnosticadas, e também pelo fato da mãe permanecer com hábitos não saudáveis durante o período.

Não existe alternativa para a mulher que descobre a gravidez desta forma, o jeito é encarar e fazer com que a situação se transforme o menos estressante possível. Após o susto inicial, deve-se procurar assistência médica imediatamente.

Para evitar esse tipo de ocorrência, é importante sempre realizar exames periódicos com seu ginecologista e ficar atenta às mudanças no corpo.

 

Cuidado alimentar: saiba o que comer durante a gestação

29 de março de 2019
Por Dr. Guilherme Araújo
Nutrólogo da Maternidade Brasília

Uma alimentação equilibrada é a base para uma vida saudável em qualquer época da vida, entretanto, na gestação ela ganha ainda mais importância, uma vez que a nutrição do futuro bebê dependerá exclusivamente do que a mãe se alimentar. Isto impactará diretamente na saúde do recém-nascido, por exemplo, a deficiência de ácido fólico pode causar defeitos do sistema nervoso, o ganho de peso exagerado pode acarretar em um bebê muito grande, que além de causar riscos para o parto, pode aumentar o risco de obesidade no futuro. Sendo assim, a gestação é uma ótima oportunidade para cultivar hábitos de vida saudáveis, pois além de melhorar a saúde do bebê, também preparará a mãe para a maratona de noites sem dormir, amamentação e estresse emocional e físico que virá após o nascimento. O tema é polêmico e sempre gera muitas perguntas. A seguir vamos falar brevemente sobre os temas que geram maiores dúvidas:

Na gestação devo comer por dois?

De fato, a mãe passará a comer por dois: ela e o bebê, entretanto não se deve esquecer que esta outra vida mede apenas alguns centímetros e não passa de 4 kg, logicamente sua necessidade é muito menor que a da mãe. Durante o primeiro trimestre de gestação não há necessidade de aumento da ingestão calórica, já no segundo trimestre a futura mamãe deve aumentar sua ingestão em 340 kcal e no terceiro trimestre em 450 kcal. Esta quantidade garantirá o aporte adequado para a futura criança sem proporcionar um ganho de peso exagerado à gestante.

Posso ingerir adoçantes durante a gestação?

Não há qualquer evidência de que o uso de adoçantes artificiais, como o aspartame, a sucralose, a sacarina, o acessulfame ou a stevia por gestantes aumente o risco de má formação fetal acima do risco da população geral, sendo seguro o uso durante a gravidez. Entretanto um estudo em ratos, mostrou um pequeno aumento do risco de câncer de bexiga em filhos de ratas prenhes que consumiram grande quantidade de sacarina, sendo prudente evitar grandes quantidades durante a gestação.

Posso tomar café durante a gestação?

A substância ativa do café que nos interessa neste caso é a cafeína. Em altas doses pode causar restrição do crescimento do bebê e até risco de abortamento. Entretanto, doses até 300 mg/dia (equivalente a 140 ml de café expresso e 3 L de refrigerante a base de cola) se mostraram seguras na maioria dos estudos.

Quais nutrientes devo ter maior atenção durante a gestação?

Alguns nutrientes são chaves para assegurar o crescimento saudável do feto. São eles: ferro (encontrado principalmente em carnes, aves, peixes, leguminosas e vegetais verde-escuros), ácido fólico (presente em leguminosas, vegetais verde escuros e frutas cítricas), cálcio (existente principalmente em leite e derivados), vitamina D (sintetizada pelo próprio organismo durante a exposição solar ou encontrado em frutos do mar, fígado e ovos), iodo (presente no sal de cozinha iodado), vitamina A (encontrado na cenoura, manga e espinafre) e zinco (presente em carnes, gérmen de trigo e castanhas).

Na dúvida, sempre consulte seu médico. Ele ajudará a sanar suas dúvidas e te encaminhará para uma ajuda especializada quando houver necessidade.